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Câncer de ovário: cientistas desenvolvem tratamento que encolhe tumor

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Câncer é o nome dado a um conjunto de centenas de mutações patológicas que acometem pessoas em todo o mundo. Essas doenças são causadas por um crescimento de células anormal e fora do controle, que tomam conta de tecidos e órgãos. Quando não é tratado, esse crescimento exagerado celular pode ser fatal.

Justamente por ser um dos diagnósticos mais temidos, possíveis tratamentos para a doença são sempre estudados. No caso do câncer de ovário, os pacientes podem ter um notícia boa. Isso porque um novo coquetel que foi desenvolvido conseguiu diminuir de forma significativa o tamanho dos tumores em quase metade das pessoas que foram tratadas com ele.

Essa novo método ainda está na sua fase de desenvolvimento. Mesmo assim, os resultados vistos nessas preliminares foram extremamente promissores e ao que tudo indica podem conseguir manter o câncer sob controle durante anos.

Esse coquetel é feito com os comprimidos de avutometinibe e defactinibe, e foi apresentado no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), nos Estados Unidos. Como o estudo ainda está em sua fase 2, ele não foi publicado em nenhuma revista científica.

Claro que ainda existe um caminho a ser trilhado até que esse novo tratamento oncológico chegue a todos, mas tudo indica que o caminho está certo. Isso é bastante empolgante porque o câncer de ovário é bem comum e de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), anualmente são estimados 7,3 mil novos casos da doença no país. Desses, 6,62 casos novos a cada 100 mil mulheres têm um risco de desenvolver o tumor.

Diminuindo o tumor

Canaltech

O estudo foi liderado pelos pesquisadores do Institute of Cancer Research, na Inglaterra. Eles selecionaram 29 pacientes que tinham o câncer de ovário em um estágio avançado. Esses pacientes tinham carcinoma seroso de baixo grau, que é o responsável por aproximadamente 10% dos cânceres de ovário e geralmente é visto em mulheres mais jovens.

Outro ponto em comum entre quase todos os voluntários era que eles não tinham mais resposta aos tratamentos oncológicos tradicionais, como por exemplo, terapia hormonal ou quimioterapia.

Então, para que o efeito dos remédios no tumor fossem medidos, os participantes foram divididos em dois grupos. Uma parte tomou o coquetel completo, enquanto a outra apenas o avutometinibe.

Como resultado, os pesquisadores viram através dos testes clínicos que, em praticamente metade dos pacientes que tomaram o coquetel, os tumores nos ovários diminuíram de forma significativa. E nos pacientes que tinham a mutação do gene KRAS, essa diminuição foi de 60%.

Remédio contra o câncer de ovário

Canaltech

Nesse coquetel desenvolvido, cada um dos remédios tem um foco em um problema específico do câncer de ovário. No caso do avutometinib, ele faz o bloqueio das proteínas das células cancerígenas relacionadas com o crescimento e espalhamento da doença pelo organismo.

Já o defactinibe age combatendo uma proteína que estimula a resistência aos medicamentos, o que faz com que as chances de sucesso desse tratamento sejam aumentadas.

Além desse novo tratamento para o câncer de ovário, outros estudos promissores também foram anunciados no congresso, como por exemplo, um remédio que diminui até 25% do risco de reincidência de câncer de mama, e um remédio relacionado com 51% menos chance de morte por conta do câncer de pulmão.

Vacina?

Só notícia boa

Além desses tratamentos promissores, de acordo com os cientistas da empresa farmacêutica alemã BioNTech, também responsáveis pela vacina contra COVID-19, a esperada vacina contra o câncer estará disponível antes de 2030.

Segundo Ugur Sahin e Özlem Türeci, casal e fundadores da BioNTech, as pesquisas feitas pela empresa têm demonstrado resultados bastante otimistas. Ainda sobre a futura vacina, eles adiantaram que ela será personalizada.

“Nosso objetivo é usar a abordagem de vacina individualizada para garantir que os pacientes recebam uma dosagem personalizada que induza uma resposta imune logo após a cirurgia. Isso fará com que as células T, responsáveis pela defesa do corpo, consigam rastrear as células tumorais restantes e, idealmente, as eliminem”, explicou Ugur Sahin.

As vacinas que foram bem sucedidas contra o COVID-19 foram as de RNA Mensageiro (mRNA). Agora, o objetivo dos pesquisadores é adaptar essa tecnologia e usá-la contra o câncer. Isso porque o RNA mensageiro pode prevenir a reincidência de tumores.

“A tecnologia de RNAm possibilita que você diga ao corpo como produzir o medicamento ou a vacina. Quando você usa o RNAm como uma vacina, ele serve como um manual para elaborar o ‘cartaz de procurado’ do inimigo. Neste caso, os inimigos são os antígenos de câncer que distinguem as células cancerosas das células normais”, explicou Türeci, que é imunologista.

Atualmente, a BioNTech está em uma fase avançada de testes clínicos de versões do imunizante. A vacina produzida por eles é focada no câncer colorretal, câncer de pele melanoma, e câncer de cabeça e pescoço.

No caso de essas vacinas de RNA mensageiro serem eficazes contra os tumores, elas irão ser um tipo de tratamento menos invasivo contra o câncer, além de poder ser possíveis terapias contra doenças virais, como o HIV e a zika.

“Sentimos que a cura para o câncer ou pelo menos para mudar a vida dos pacientes com câncer está ao nosso alcance”, concluiu Ozlem Türeci.

Fonte: Canaltech, Só notícia boa

Imagens: Canaltech, Só notícia boa

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