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Casal russo entra na justiça pela posse de cérebros congelados

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Um divórcio tende a ser um processo difícil tanto para o casal quanto para aqueles que estão envolvidos na relação que se rompe. Alguns dos pontos tensos são a batalha judicial pela guarda dos filhos, o posse dos imóveis e divisão dos bens. No entanto, um casal russo superou o imaginável em sua briga judicial para se divorciar. Isso porque compartilham a sociedade de uma empresa de criogenia chamada KrioRus, se enfrentando pela posse de cérebros congelados.

A batalha, que leva em conta 50 cérebros congelados e 26 cadáveres congelados, iniciou-se no mês de setembro de 2021. Na ocasião, a co-fundadora da empresa, Valeria Udalova, tentou embalar vários tanques isolados a vácuo – com cadáveres e cérebros congelados.

Em seguida, ela tentou transportar os tanques para um caminhão com a ajuda de um guindaste, o que só foi interrompido com a chegada da polícia no local. Assim sendo, desde essa tentativa, o outro co-fundador, Danila Medvedex, ex-marido de Valeria, entrou na justiça para recuperar os cadáveres e cérebros congelados.

Com isso, ambas as partes argumentaram que são proprietários legítimos  dos corpos e dos cérebros congelados. Só recentemente os itens bizarros dos tanques voltaram para o armazém original.

Contudo, o russo afirma que, nesse período, a sua ex-mulher danificou os tanques e até mandou bandidos até sua casa para ameaçá-lo. Dessa forma, a lei russa não permite a posse do corpo de outra pessoa e, além disso, o paradeiro atual dos cérebros congelados ainda é desconhecido.

De acordo com especialistas da criogenia, fora das temperaturas ideais, a deterioração de um corpo, especialmente o cérebro, é um processo rápido. Logo, levaria apenas alguns minutos após sua retirada do tanque para que ele se iniciasse. Basicamente, é como retirar carne do freezer, deixá-la descongelar e congelar novamente.

O que é criogenia?

Reprodução

A criogenia é uma técnica que permite a preservação das células, tecidos e órgãos para serem usados em outro momento. Portanto, sem a criogenia, seria impossível guardar células-tronco, órgãos para transplantes, pele para enxerto e uma variedade de usos medicinais e de pesquisa.

Na prática, utiliza-se o nitrogênio líquido para congelar o material, o que leva o metabolismo de uma célula ou tecido a -133 ºC. No Brasil, o Centro de Criogenia Brasil foi fundado em 2003.

O médico pediatra Carlos Alexandre Ayoub (CRMSP 19202), fundador do Centro de Criogenia Brasil (CCB), explicou como a criogenia somou ao mundo da medicina. “O metabolismo de uma célula ou tecido para a -133°C. O nitrogênio em forma líquida está sempre em -196°, então se nós paramos o metabolismo de uma célula a -133°C, nós temos uma margem de 63°C para segurar esse material por tempo indeterminado”

“Se você congela algo no seu freezer em casa, a -20°C mais ou menos, quando o produto chega a -12°C, entra no ponto de cristalização. A água que está dentro da célula sai para fora dela, a célula murcha, e essa água vai se expandir e formar espículas, que vão perfurar a membrana dessas células”, exemplifica o médico.

“Portanto, quando você descongela essa carne, por exemplo, você pode utilizá-la, mas não deve congelá-la de novo porque ela estará morta, você vai descongelar uma coisa morta e ela não vai durar muito tempo”, completa.

É possível congelar corpos e ressucitá-los?

No mês de setembro de 2020, a Netflix incluiu um documentário em seu catálogo sobre a história de uma família da Tailândia que apostou na criogenia em uma situação sem esperanças.

Em Contornando a Morte, acompanhamos a vida breve de Einz, ou Matheryn, que faleceu em 2015 por uma doença chamada ependimoblastoma. Assim, o câncer consiste em tumores extremamente malignos e agressivos, sem possibilidade de sobrevivência até então.

Portanto, quando a família recebeu o diagnóstico, ela já soube que as chances de cura eram quase inexistentes. Após passar por 10 cirurgias, 12 sessões de quimioterapia e 20 de radioterapia, Einz não apresentou melhora.

Com isso, o pai, Nareerat Naovaratpong, e sua esposa, Sahatorn, decidiram seguir o caminho da criogenia na esperança de que a filha pudesse voltar em um futuro distante. Para tal, encontraram a empresa Alcor, com sede em Arizona, nos Estados Unidos, que faz o procedimento de congelamento.

A empresa sem fins lucrativos oferece duas possibilidades: o corpo inteiro ou somente o cérebro. Dessa forma, no primeiro caso, o valor da época era de US$ 200 mil, enquanto o congelamento do cérebro era de US$ 80 mil. A família optou pela segunda opção na esperança de tratar o cérebro e transferi-lo para outro corpo.

Quando seu estado piorou, a menina não resistiu, mas a família conseguiu iniciar o processo de criogenia imediatamente com ajuda do médico especialista Dr. Kanshepolsy.

A resposta da ciência

Cérebro

Reprpdução

“O que nós somos? Somos a nossa memória. Eu tenho um nome, tenho uma profissão, tenho pai e mãe, moro em um apartamento, sou casado, tenho filhos… A memória se apaga 15 minutos depois que parou a circulação, ela ‘zera’, ela é um sistema elétrico que fica se movimentando em nosso cérebro e que guarda tudo o que nós temos. Quando essas ondas elétricas param de funcionar, nossa memória desaparece”, diz Ayoub.

Com isso, uma pessoa que passasse pela criogenia iria acordar com a mente zerada, assim como um bebê recém-nascido. “Não tem como congelar a memória. A memória não é física, ela é elétrica, então você até pode trazer esse indivíduo de volta um dia, o que, na minha opinião, a resposta é não, mas ele vai voltar sem saber o que ele é, não vai ter ideia do que aconteceu na vida dele, não vai nem ter um parente, absolutamente nada”, opina o médico,

Fonte: Canaltech

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