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Centenas de túmulos antigos na Espanha revelam uma história muçulmana secreta

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A arqueologia busca vestígios da humanidade e de outras espécies que já viveram sobre as nossas terras a milhares de anos atrás. Muitas descobertas importantes já foram feitas por arqueólogos no decorrer dos anos. Os achados encontrados por eles permitem que entendamos melhor algumas coisas da nossa própria história e até mesmo a do mundo em si.

Um sítio arqueológico no nordeste da Espanha é o lar de um dos mais antigos cemitérios muçulmanos conhecidos do país. Ao todo, foram descobertos 433 túmulos. Alguns deles datam dos primeiros 100 anos da conquista islâmica da Península Ibérica.

Essas descobertas confirmam que a região, ao longo da fronteira entre os guerreiros islâmicos e cristãos no começo da Idade Média, já foi dominada por governantes muçulmanos. E que depois eles foram substituídos por governantes cristãos.

Túmulos

Nesse ano, os arqueólogos desenterraram os túmulos antigos de uma maqbara, ou necrópole muçulmana, datada entre os séculos VIII e XII. Os restos mortais mostraram que os mortos foram enterrados seguindo os rituais fúnebres muçulmanos. E eles sugerem que a cidade foi, em grande parte, islâmica por centenas de anos. Mesmo que não exista menção nenhuma a essa fase nas histórias locais.

“O número de pessoas enterradas na necrópole e o tempo em que foi ocupada indicam que Tauste era uma cidade importante no Vale do Ebro na época islâmica”, disse a arqueóloga, Eva Giménez, da empresa patrimonial Paleoymás.

As escavações iniciais feitas por Giménez e pela empresa Paleoymás começaram em 2010, e elas sugeriram que uma necrópole islâmica de cinco acres em Tauste poderia conter os restos mortais de até 4.500 pessoas.

No entanto, a  Associação Cultural El Patiaz, que os contratou, tinha fundos limitados e somente 46 sepulturas puderam ser desenterradas nos primeiros quatro anos de trabalho.

Mas Giménez disse que as últimas descobertas feitas por eles indicam que mais sepulturas muçulmanas pode ser encontradas. “Agora temos informações que indicam que o tamanho da necrópole é maior do que se conhecia”, disse.

Esses túmulos datam da época que os exércitos muçulmanos do norte da África, junto do califado omíada do Islã em Damasco, invadiram o que atualmente é a Espanha, em 711. Em 718, eles já tinham conquistado a maior parte da Península Ibérica.

Muçulmanos

Os invasores muçulmanos foram chamados pelos cristãos de mouros. E eles tentaram conquistar a Gália, atualmente a França, no entanto foram impedidos em duas batalhas. Uma em 721 e outra em 732. É dito que o uso da cavalaria pesada teve um papel decisivo na batalha.

Depois disso, os líderes muçulmanos se estabeleceram ao sul de Barcelona e dos Pirineus, que é a cordilheira que divide a Espanha e a França.

Esse domínio muçulmano na Espanha começou a se fragmentar depois do século XI. E os reis cristãos no norte se tornaram mais poderosos. Em 1492, o último emirado muçulmano em Granada foi derrotado. O Islã foi proibido e as violetas perseguições anti-muçulmanos continuaram até o começo do século XVII.

Nas partes perto da região a influência do domínio islâmico foi reconhecida. No entanto, a história silenciou sobre a fase islâmica em Tauste.

“Túmulos antigos às vezes eram desenterrados na cidade, mas eram considerados como vítimas de uma pandemia de cólera que matou quase 250 mil pessoas na Espanha em 1854 e 1855”, disse Miriam Pina Pardos, diretora do Observatório Antropológico do Islã Necrópole de Tauste.

Descoberta

Foi com as escavações iniciadas em 2010, que os arqueólogos, liderados por Francisco Javier Gutierrez, descobriram que os túmulos antigos em Tauste tinham indivíduos enterrados com rituais muçulmanos. E que não era no estilo de enterro em massa que seria esperado nas vítimas de cólera.

Além disso, os túmulos também mostravam outras características muçulmanas bem distintas. Como por exemplo, eles eram grandes suficiente para caber o corpo. E os mortos eram enterrados em uma mortalha branca, independente do seu status social.

Os arqueólogos descobriram que o cemitério estava em uso contínuo por mais de 400 anos. “Isso nos fala sobre uma população [islâmica] constante e profundamente enraizada em Tauste desde o início do século VIII”, disse Giménez.

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