Sendo a mais famosa dos nossos parentes ancestrais distantes, o fóssil de Lucy ainda é um tema de muito estudo e pesquisa, até mesmo porque essas descobertas podem nos trazer muitas informações sobre o nosso passado. Já se tem muitas informações sobre ela, mas ainda tem muito o que se confirmar a seu respeito.

Lucy foi encontrada perto da aldeia etíope de Hadar, no Afar Triangle, que faz parte do Grande Vale do Rift. De acordo com especialistas, acredita-se que Lucy viveu há 3,2 milhões de anos. Em 1974, quando seus ossos fossilizados foram escavados, Lucy foi considerada pela comunidade científica, o mais antigo humano primitivo já encontrado.

Ela era da espécie Australopithecus afarensis, que já andava com a coluna ereta e provalvemente usava ferramentas. O estudo de nossos antepassados não para. E novos exames, feitos no crânio de Lucy , mostraram que esses hominídeos tinham cérebros com características tanto humanas, quanto de primatas.

As estruturas específicas, presentes no cérebro humano, o diferenciam de um cérebro primata. E os pesquisadores sempre estudaram para saber qual foi o momento exato da evolução, em que essas características se desenvolveram. Se teria acontecido durante a era dos australopithecus ou se teria sido mais tarde.

Estudo

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Um novo estudo, que foi publicado na revista "Science Advances", mostra mais detalhes dessa pesquisa. Para a pesquisa, os pesquisadores analisaram seis filhotes e um adulto da mesma espécie que Lucy.

Eles fizeram exames de tomografia computadorizada. E partindo desse modelo conseguido no exame, eles construíram imagens de alta resolução, de como teria sido o cérebro dos australopitecíneos.

De acordo com o estudo, os australopithecus já tinham um desenvolvimento cerebral mais demorado, que os chimpanzés logo na sua infância. E se aproximavam dos humanos. Além de indicar que tinham uma infância longa, que é característica humana.

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“O que é mais intrigante é que apesar de o cérebro parecer muito com o cérebro de um primata, ele tem uma característica humana: cresce por um longo período de tempo”, diz o pesquisador Phillip Gunz, do Instituto Maz Planck de Antropologia Evolutiva.

Cérebro

Mas o exame de imagem também mostrou a presença do sulco semilunar, que é uma fissura nas dobras cerebrais, que são vistas em chimpanzés. Nos cérebros humanos, esses sulcos não são observados. Então, a superfície cerebral se parece mais com a de um primata.

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“Temos uma tendência de ver a evolução como contínua, essa ideia de que tudo está evoluindo em sincronia é destruída por um artigo como esse. Ele mostra que como todo o resto na evolução humana, nós evoluímos mais como um mosaico, de forma modular, em que aspectos da nossa anatomia se desenvolve em ritmos diferentes”, explica Jeremy DeSilva, um dos antropólogos que revisaram o trabalho.

Isso mostra que a evolução não acontece de uma forma linear. E que os nossos ancestrais foram adquirindo características humanas mesmo enquanto tinham também características de primatas.

De acordo com DeSilva, da cintura para baixo, os australopithecus tinham uma aparência humana. Mas da cintura para cima eles eram mais parecidos com os primatas do que com os humanos.

Publicado em: 15/04/20 17h42