Cientistas estão desenvolvendo mini cérebros em laboratório

POR Isabela Ferreira    EM Ciência e Tecnologia      10/04/18 às 18h49

A ciência é mesmo impressionante, não acha? A cada dia que se passa, pesquisadores fazem novas descobertas que auxiliam no melhor entendimento acerca da humanidade. Há algum tempo, cientistas britânicos e austríacos desenvolveram um modelo 3D embrionário do cérebro humano. Dá pra acreditar?

Também chamados de organoides cerebrais ou esferoides corticais humanos, esses "mini-cérebros", que na verdade não são tão semelhantes assim com um cérebro, podem ser a resposta para ajudar na identificação de problemas cerebrais em um feto, por exemplo, podendo ajudar inclusive a estudar como a microcefalia é causada pelo Zika Vírus. Além disso, também podem ser uma luz para entendermos como o cérebro se desenvolve.

Para isso, eles usaram uma técnica que funciona a base de células-tronco. Elas são estimuladas a se desenvolverem em determinados tecidos, a partir daí, cultivam o chamado neuroectoderma, um tecido embrionário, do qual o próprio sistema nervoso e o cérebro são derivados. Após um mês, os pesquisadores observaram que algumas regiões dos organoides já apresentava estágio embrionário, como córtex cerebral e retina. Depois de dois meses, eles já apresentavam o tamanho de 4 milímetros e até mesmo alguns neurônios ativos.

Desenvolvimento

Bem, é válido mencionar que esses organoides neurais não se assemelham, nem mesmo remotamente, a um cérebro adulto. Por enquanto, eles apenas desenvolvem a organização de tecidos. Mas por outro lado, Ben Waldau, neurocirurgião vascular do Centro Médico da Universidade da Califórnia, afirma que esta pode ser a melhor chance para as pessoas que sofrem derrame terem completa recuperação. "A ideia geral com esses organoides é que um dia, sejam capazes de desenvolver uma estrutura cerebral  que o paciente tenha perdido, com as próprias células do paciente", alega Waldau.

Ainda acrescenta: "Nós vemos as lesões ainda presentes nas tomografias, mas não há nada que possamos fazer. Normalmente, elas representam déficits neurais permanentes - paralisia, dormência, fraqueza - mesmo após a cirurgia e fisioterapia". De modo geral, a intenção é desenvolver esses "mini-cérebros" ao ponto de que eles sejam capazes de recuperar o tecido cerebral, curando as lesões que ainda ficam presentes.

Recentemente, a equipe do neurocirurgião publicou os primeiros resultados dos estudos feitos em organoides neurais humanos vascularizados. Utilizando células da membrana cerebral, retiradas de um dos pacientes durante uma cirurgia, os médicos as induziram a penetrar primeiro nas células-tronco. Em seguida, outras foram introduzidas nas células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos. Dessa forma, células-tronco começaram a se desenvolver nos organoides, que para um experimento, foram transplantados em camundongos.

Assim como outro experimento feito por cientistas do Instituto Salk e da Universidade da Pensilvânia, os resultados mostraram que vasos sanguíneos do roedor, começaram a crescer em volta dos organoides humanos transplantados. Quando isso acontece, esses "mini-cérebros" tem um tempo de vida muito maior e podem se desenvolver.

Mais estudos

cérebro

O principal objetivo dessas pesquisas é estudar as conexões neurais e entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento cerebral. Ajudando também a localizar distúrbios que podem ser gerados durante durante o processo. No fim das contas, os resultados observados nos camundongos sugerem que há possibilidade de que esses organoides amadureçam, até que se transformem em um complexo órgão computacional. Porém, é nítido que isso ainda pode demorar muito... Mais de um século, inclusive.

Segundo os envolvidos no estudo, o próximo passo será colocar essas células em circuitos que podem receber e processar informações em nosso cérebro. Mas também vale ressaltar que a questão ética está bastante envolvida na questão, afinal... São tecidos humanos transplantados em roedores. Waldau e sua equipe já participaram de conferências para o debate do tema. A grande questão é que podemos estar cada vez mais perto de encontrar novas respostas para os mistérios de nosso cérebro.

E então pessoal, o que acharam? Compartilhem suas ideias com a gente aí pelos comentários!

Via   Wired     MeioBit  
Isabela Ferreira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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