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Conheça o sapo de vidro

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No ano de 2020 foi encontrada, pela primeira vez em 18 anos, uma rara espécie de sapo, a Nymphargus bejaranoi, na encosta oriental dos Andes da Bolívia. Três espécimes do anfíbio, nomeado popularmente como “sapo de vidro” por conta da sua barriga transparente, foram estudadas por conservacionistas da região.

“A redescoberta dessa espécie nos enche com um raio de esperança para o futuro dos sapos de vidro, um dos anfíbios mais carismáticos do mundo, e também para o de outras espécies”, afirmaram os pesquisadores em um comunicado.

Os sapos de vidros são animais pequenos, com comprimento entre 19 e 24 milímetros, e pesam de 70 a 80 gramas. A espécie pode ser encontrada na capital da Bolívia, La Paz, e de outras regiões do país, como Cochabamba, Santa Cruz e Chuquisaca. Em alguns, a barriga é transparente ao ponto de ser possível observar os órgãos internos.

Os animais foram encontrados durante uma missão para resgatar répteis e anfíbios ameaçados por um projeto hidrelétrico no Parque Nacional Carrasco, a leste de Cochabamba, na Bolívia.

Por que o sapo tem o corpo transparente?

Wikipédia

A transparência da barriga do sapo foi estudada por um grupo internacional da Universidade de Bristol, no Reino Unido, da Universidade McMaster, no Canadá, e da Universidade das Américas de Quito, no Equador, recentemente. O estudo foi publicado no periódico científico PNAS em maio do ano passado.

De acordo com a pesquisa, a pele é um mecanismo de camuflagem para o animal, que o auxilia a fugir de possíveis predadores por meio da adaptação ao ambiente em que ele está.

Segundo os pesquisadores, ao ficarem perto de uma folhagem clara, os sapos ficam tão claros quanto ela. Enquanto o mesmo deve ocorrer com plantas escuras, o que auxilia na sobrevivência da espécie. 

“Também descobrimos que as pernas são mais translúcidas do que o corpo e, portanto, quando são mantidas dobradas para os lados, isso cria um gradiente difuso da cor da folha para a cor do sapo, em vez de uma aresta mais acentuada, o que sugere uma nova forma de camuflagem: ‘difusão da aresta'”, informou James Barnett, principal autor do artigo.

Através de estudos de campo, modelo computacional e experimentos de detecção computacional, foi possível notar que o sapo de vidro não é transparente, mas sim translúcido.

“Embora os sapos de vidro sejam um exemplo comumente citado de transparência terrestre, sua escassa pigmentação verde significa que são melhor descritos como translúcidos”, apontou o pesquisador em nota. 

Ele complementou que essa é uma característica muito observada em animais aquáticos, que possuem tecidos que têm índices de refração semelhantes ao da água. O mesmo não acontece no ar, com animais terrestres.

Barnett reforça que “então, prevê-se que a transparência seja menos efetiva em espécies terrestres”.

“Agora temos boas evidências de que a aparência de vidro dos sapos é, de fato, uma forma de camuflagem”, explicou Nick Scott-Samuel, especialista da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade de Bristol e supervisor do estudo.

Fonte: Revista Galileu, Aventuras na História

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