Ciência e Tecnologia

Demência em mulheres pode estar relacionada a fatores hormonais

Demência em mulheres pode estar relacionada a fatores hormonais
0

Em Para Sempre Alice, filme lançado em 2014, Julianne Moore vive Alice Howland, uma professora e pesquisadora bem-sucedida que, aos 50 anos, é diagnosticada com a doença de Alzheimer. A produção rendeu um Oscar a Moore e, embora os desafios da personagem tenham durado apenas uma hora e meia na tela, fora dela, o risco da demência assombra mulheres por uma vida.

Embora pouco se fale sobre isso, demência é um termo que abrange inúmeras enfermidades que afetam as habilidades mentais. Como resultado disso, memória, linguagem e raciocínio são características que podem ser atingidas por esse quadro clínico. Só para ilustrar, para além do mal de Alzheimer, existem as doenças de Pick, Huntington, Parkinson e afins.

Feita essa contextualização, eis um dado que vem preocupando os profissionais da saúde ao redor do mundo: o número de casos de demência vem crescendo em todo o mundo, principalmente entre as mulheres. Como consequência disso, surgiu uma hipótese de a demência pode estar relacionada a fatores hormonais reprodutivos.

Apesar de ainda não haver evidências que fortaleçam essa constatação, a pesquisadora australiana, Jessica Gong, decidiu mapear se eventos que interferem nos níveis de estrogênio no organismo feminino relacionam-se ao surgimento da doença.

A manifestação da demência em mulheres

Unsplash

De acordo com o estudo publicado por Gong na revista PLOS Medicine, algumas características podem influenciar na manifestação da demência em mulheres. Por exemplo, ter um longo período reprodutivo (tempo entre a primeira e última menstruação), ter engravidado (independente ou não de um aborto) e entrado na menopausa em idade avançada, podem proteger a mulher da demência.


Em contrapartida, histerectomia (cirurgia de remoção do útero), primeiro parto e menopausa precoces e menarca mais adiantada que a média, não são um bom sinal, estando associadas a um risco mais alto de desenvolvimento do quadro demencial. Contudo, assim como mencionado acima, ainda trata-se apenas de uma hipótese levantada, não devendo ser tratada como certeza.

Segundo Gong, “sabemos que o risco de desenvolver demência aumenta em maior escala entre as mulheres simplesmente porque elas vivem mais. É possível que os aspectos reprodutivos femininos ajudem a explicar a questão”. Por isso, a equipe da pesquisadora do The George Institute fo Global Health, analisou informações de mais de 270 mil mulheres.

Para Sempre Alice

Demência em mulheres pode estar relacionada a fatores hormonais

Reprodução/Sony Pictures

Durante a preparação para a atuação que lhe renderia o Oscar de Melhor Atriz na premiação de 2015, Julianne Moore desempenhou um importante papel na disseminação de informações a respeito de quadros de demência, principalmente o Alzheimer. A interprete chegou a entrevistar representantes da Associação Nacional de Alzheimer durante seu processo preparativo para o papel.

Ademais, Moore passou quatro meses imersa em pesquisas sobre o mal de Azheimer, assistindo documentários, conversando com especialistas e até mesmo se reunindo com pacientes portadoras da doença. Para Sempre Alice é uma adaptação do livro homônimo de Lisa Genova e encontra-se em diversas plataformas digitais.

Como prevenir a demência?

Embora existam outras doenças, o Alzheimer é a forma mais comum de demência encontrada pelo mundo. Contudo, mesmo que modulado pela genética, esse mal conta com fatores de risco modificáveis. Em países de alta renda é notável uma redução dos casos de Alzheimer.

Portanto, apesar de ser uma doença majoritariamente diagnosticada na terceira idade, a demência é uma doença generativa que começa a desenvolver-se algumas décadas antes. Por isso, algumas formas de controle desses fatores de risco seriam:

  • aumentar o nível educacional na juventude;
  • dedicar-se a cuidar da hipertensão, obesidade e diabetes na fase adulta;
  • não fumar e praticar atividades físicas regulares;
  • cuidar da perda de audição;
  • tratar a depressão;
  • aprimorar o contato social.

No fim das contas, evidências vem mostrando que intervenções psicológicas, sociais e ambientais são mais efetivas do que as farmacológicas. Embora, assim como mencionado acima, a demência seja um campo em constante estudo, no qual há muitas hipóteses e poucas certezas.

Fontes: G1, PEBMED.

Vecindades: entenda a arquitetura da vila do Chaves

Matéria anterior

Jogos tradicionais do século passado ganham novas perspectivas no mundo digital

Próxima matéria

Comentários

Comentários não são permitidos