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Descoberta de exoplaneta raro desafia tudo o que sabemos sobre o espaço

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Na década de 1990, o primeiro exoplaneta (corpo celeste que não orbita em torno do sol e não faz parte do nosso sistema solar) foi descoberto. Desde então, milhares de outros parecidos já foram descobertos além do nosso sistema solar. Foi por isso que, com o passar do tempo, a descoberta de exoplanetas não foi uma notícia tão espetacular assim. No entanto, isso não quer dizer que elas não sejam importantes.

Como no caso desse exoplaneta raro parecido com Netuno e seis vezes maior do que a Terra. Ele foi chamado de Planeta Fênix e está intrigando os cientistas porque, por conta da sua proximidade com o sol, ele tinha que ter sido reduzido a uma rocha sem atmosfera. Contudo, isso não aconteceu.

De acordo com um comunicado da Universidade Johns Hopkins, esse exoplaneta ter mantido sua atmosfera inflada de gases e outros materiais mais leves é um grande mistério para a ciência. Tanto que os cientistas pontuam que isso é algo diferente de tudo que já foi observado no espaço.

Exoplaneta raro

Olhar digital

Pelo que se sabia, os planetas que estavam nessas condições perdiam suas atmosferas. Contudo, mesmo que o Planeta Fênix, ou TIC365102760 como é chamado de forma técnica, não irá sobreviver mais de 100 milhões de anos.

Conforme os pesquisadores, por causa da idade avançada e temperaturas escaldantes, junto com uma densidade baixa, o processo de remoção da atmosfera do exoplaneta deve acontecer em um ritmo mais lento do que se pensava ser possível.

Para o estudo, os pesquisadores fizeram uma combinação de dados desse satélite com medições do Observatório W.M. Keck, no Havaí. Esse observatório faz o acompanhamento dos sinais emitidos pelas estrelas causados por seus planetas orbitantes.

Como resultado, eles concluíram que esse exoplaneta é menor, mais antigo e mais quente do que se imaginava. Outro ponto visto foi que ele orbita sua estrela a cada 4,2 dias e está seis vezes mais perto dela do que Mercúrio está do sol.

Mudança

Folha

No caso do Planeta Fênix, ele mudou a compreensão que se tinha a respeito de um planeta perto da sua estrela. E além dele, outros exoplanetas também mudam concepções antigas. Como no caso desse estudo feito por cientistas do mundo todo que combinou várias técnicas de busca para tentar descobrir um novo planeta gigante. E o que eles fizeram pode mudar a forma como se imagina os planetas no futuro.

Até o momento, várias técnicas já foram desenvolvidas para procurar planetas que orbitem outras estrelas. A mais simples é a chamada imagem direta. No entanto, mesmo sendo a mais simples, ela não é fácil de ser produzida.

Isso porque para que uma imagem direta seja gerada é preciso uma conexão poderosa entre a câmera e um grande telescópio, além da tentativa em detectar a luz que é emitida ou refletida de um planeta. E como os planetas são escuros, usar essa técnica é parecido com procurar vagalumes ao redor de um holofote.

Não é à toa que através dessa técnica somente 20 planetas foram encontrados. Mesmo assim, ela tem um grande valor porque ajuda na compreensão das propriedades atmosféricas de determinado planeta, como por exemplo, sua composição e temperatura, coisas que outras técnicas não são capazes de fazer.

Agora, o planeta que os cientistas descobriram, o chamado HIP99770b, é massivo, quente e moderadamente nublado. Ele está orbitando sua estrela a uma distância como se estivesse entre Saturno e Urano.

Esse planeta tem 15 vezes a massa de Júpiter e tem temperaturas maiores do que mil graus Celsius, o que não é um bom indício para um local habitável. Mas o que HIP99770b dá aos cientistas é uma analogia com o nosso sistema solar. Até porque ele tem um disco de detritos, de gelo e rocha, frio e longe da sua estrela. Essa configuração se parece com o Cinturão de Kuiper no nosso sistema solar.

Os cientistas fizeram essa descoberta fazendo a detecção de indícios de um planeta através de detecção indireta. Eles viram que a estrela oscilava no espaço, o que mostrava que ali existia um planeta por perto. Visto isso, eles partiram para a detecção direta com imagem, já que não estavam procurando no escuro.

Além da detecção direta, a espaçonave Gaia, da Agência Espacial Europeia, forneceu dados extras. E os cientistas também usaram medições feitas pelo antecessor de Gaia, Hipparcos. Com isso, eles tiveram 25 anos de dados para analisar.

Antigamente, os pesquisadores usavam métodos indiretos para guiar imagens. Com isso, eles descobriram estrelas companheiras, mas não planetas. “Nossa detecção, que usou imagens diretas e astrometria, demonstra uma maneira mais eficiente de procurar planetas. É a primeira vez que a detecção direta de um exoplaneta é guiada por métodos iniciais de detecção indireta”, disse o cientista Simon J. Murphy, líder do estudo.

De acordo com as descobertas, é sugerido que HIP99770b faz parte da associação de estrelas Argus, que é um grupo de estrelas que se locomove junto através do espaço. Isso por sua vez sugere que todo sistema é bem jovem, tendo aproximadamente 40 milhões de anos, o que faria com que ele tivesse quase a mesma idade do nosso sistema solar.

Contudo, a análise de pulsações da estrela e os modelos de brilho do planeta feito pelos cientistas sugeriram que ele tenha entre 120 a 200 milhões de anos. Se isso for verdade, o HIP99770b pode estar de intruso em Argus.

Mas como agora se sabe que ele abriga um planeta, os cientistas querem entender ainda mais todos os seus mistérios.

Fonte: Olhar digital, Galileu

Imagens: Olhar digital, Folha

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