
Uma descoberta recente colocou o mundo científico de joelhos: o crânio de uma criança enterrada há 140 mil anos na caverna de Skhul, em Israel, apresenta características tanto de Homo sapiens quanto de neandertais, o que sugere um híbrido entre as duas espécies. Esse achado é agora o registro mais antigo de cruzamento humano e neandertal já identificado. E olha que era considerado apenas mais um fóssil até agora!
Cientistas da Universidade de Tel Aviv revisitavam o fóssil com tecnologia moderna, como tomografia computadorizada e modelagem 3D, quando perceberam que partes cruciais, como a curvatura do crânio, lembravam o Homo sapiens, enquanto a mandíbula sem queixo e a estrutura do ouvido interno eram claramente neandertais.
Pela primeira vez temos evidência física clara de que sapiens e neandertais se cruzaram 100 mil anos antes do que se imaginava, a “Criança do Vale de Lapedo”, em Portugal, datava de apenas 28 mil anos. Agora sabemos que essa história é bem mais antiga.
O coordenador do estudo, professor Israel Hershkovitz, afirma que esse encontro ancestral era mais que um choque de espécies: era um ponto de encontro cultural. No Levante, humanos e neandertais conviveram por muito tempo, trocando genes, ideias e, aparentemente, pai e mãe.
Praticamente todos os não-africanos carregam entre 1,8% e 2,6% de DNA neandertal, resultado de cruzamentos ocorridos há dezenas de milhares de anos. Mas este fóssil mostra que essa mistura começou muito antes do que pensávamos.
Fonte: Super Interessante






