Curiosidades

Entenda o que é “Jamais Vu”

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A maioria das pessoas sabem o que é Déjà Vu, aquela sensação que sentimos quando acreditamos já ter passado por alguma situação no passado e estarmos revivendo agora, seja real ou não. Porém, existe uma sensação, menos conhecida, que é contrária a essa, o Jamais Vu.

O Jamais Vu ocorre quando uma situação que deveria ser familiar, nos dá a impressão de não ser familiar, por exemplo, quando não reconhecemos nossa casa, nossos amigos ou familiares ou mesmo palavras utilizadas no dia a dia. 

Veja abaixo a explicação dos psicólogos Alan S. Brown e Elizabeth J. Marsh sobre o Jamais Vu.

Como ocorre?

Foto: Reprodução

De acordo com os cientistas, quando experienciamos algo, normalmente há um alinhamento perfeito entre o reconhecimento objetivo e o subjetivo. Em resumo, as coisas que já conhecemos nos parecem familiares, e as que não conhecemos não nos parecem familiares.

No caso do Déjà Vu, esses dois reconhecimentos não batem, ou seja, apesar do reconhecimento subjetivo acontecer, o objetivo não é realizado. Parece que você já viveu aquilo, mas seu cérebro sabe que não.

Por outro lado, o Jamais Vu é o oposto disso: o reconhecimento subjetivo não ocorre, enquanto o objetivo acontece. Por exemplo, você entra na casa onde cresceu e, por um momento, parece que nunca viu aquele lugar e está o conhecendo pela primeira vez. Você sabe que já viveu aquilo, mas seu cérebro não reconhece isso.

Os relatos das pessoas que passaram por essa situação costumam ser mais incômodos do que apenas curiosos. Um internauta contou ter saído do ônibus no ponto de sua casa, mas sentiu como se estivesse em um país estrangeiro. Como ele não reconheceu as placas de trânsito, o local, nada, teve que utilizar o Google Maps para chegar à própria casa. Essa pessoa informou que isso costuma acontecer próximo a episódios de enxaqueca.

Essa mesma pessoa disse que uma vez, estava no próprio quarto e não o reconheceu mais. O incômodo só começou a passar quando notou o seu cachorro se aproximando, e pensou que, se ele estivesse no local, tudo deveria estar certo. Ao ler as correspondências endereçadas a ela, observou que: “esse tem que ser o meu apartamento, apesar de eu não reconhecê-lo”.

Um segundo usuário relata ter tido a experiência na sala de aula. A pessoa não conseguia reconhecer os seus colegas, a sua mesa, seus amigos ou mesmo o material que deveria estar estudando. Apesar de considerar os rostos que estavam presentes na sala familiares, não conseguia lembrar os nomes, como se o cérebro tivesse esquecido.

Como induzir o Jamais Vu?

Foto: twenty20ptohos/Envato

Mesmo que a experiência possa não parecer muito agradável, existem formas de induzir o fenômeno do Jamais Vu de maneira mais leve ou com um efeito similar, brevemente.

Uma dessas maneiras é ler uma palavra conhecida várias vezes, até parecer que ela não faz sentido, deixando de ser familiar. Isso pode ser feito de forma escrita ou repetindo a palavra para si mesmo. Por um breve momento, ela vai parecer incorreta, ou pode até mesmo não parecer uma palavra.

Alguns pesquisadores publicaram, em 2021, um estudo nomeado The the the the induction of jamais vu in the laboratory: word alienation and semantic satiation (A a a a indução de Jamais Vu no laboratório: alienação de palavras e saciação semântica), em que fazem os participantes repetirem palavras até parecerem estranhas, completarem a tarefa ou parar por alguma outra razão. Dois terços deles, em um terço dos testes, afirmaram ter experiências subjetivas curiosas durante a repetição.

O fenômeno aconteceu depois de aproximadamente trinta repetições, de acordo com os participantes, ou após um minuto de atividade. Uma segunda descoberta foi que pessoas que tinham experienciado um Déjà Vu recentemente possuíam mais chances de ter um sentimento de Jamais Vu induzido artificialmente, ou fenômenos similares.

Os participantes relataram sensações de estranhamento e falta de familiaridade. Já os sentimentos de novidade ou falta de realidade foram mais incomuns. Outras sensações frequentes foram de anomalias ortográficas e as percepções relacionadas à escrita e fala foram mais frequentes, informam os pesquisadores.

O estudo foi publicado na revista científica Memory.

Fonte: Canaltech

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