Dispositivos visuais testados no Reino Unido reduziram o risco de captura acidental de aves marinhas. Foto: Reprodução.

Cientistas criam espantalho marinho que reduz em até 71% a captura acidental de aves

Cientistas estão usando uma espécie de espantalho flutuante para proteger aves marinhas de um dos perigos mais comuns da pesca: as redes que capturam animais acidentalmente. Na costa do Reino Unido, pesquisadores testaram uma tecnologia que utiliza estímulos visuais para afastar os pássaros das áreas de risco e, assim, reduzir as mortes durante as operações pesqueiras.

Dispositivos visuais testados no Reino Unido reduziram o risco de captura acidental de aves marinhas. Foto: Reprodução.

Dispositivos visuais testados no Reino Unido reduziram o risco de captura acidental de aves marinhas. Foto: Reprodução.

O estudo, publicado na revista científica Conservation Letters, avaliou dois dispositivos diferentes. O primeiro consiste em uma boia com olhos móveis, enquanto o segundo utiliza uma pipa que imita a aparência de uma ave de rapina. Durante os testes, ambos os equipamentos reduziram significativamente o risco de captura acidental de aves marinhas.

Como funciona o espantalho marinho?

O primeiro dispositivo, chamado Looming Eye Buoy, pode ser traduzido como boia de olhos ameaçadores. O equipamento possui elementos visuais móveis que criam a impressão de olhos se aproximando. Dessa maneira, ele produz um estímulo que pode afastar aves que mergulham em busca de alimento.

Já a segunda alternativa utiliza uma pipa com formato de ave de rapina, conhecida como scarybird. Nesse caso, os pesquisadores aproveitam o comportamento natural das aves marinhas, que tendem a evitar áreas onde identificam possíveis predadores.

Para funcionar, os equipamentos ficam acima da superfície da água, próximos às redes de pesca. Assim, os dispositivos procuram impedir que as aves mergulhem nas áreas onde correm o risco de ficar presas.

Testes identificaram redução de até 71% nas capturas

O experimento ocorreu na costa da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, entre outubro de 2023 e março de 2025. Ao todo, dez pescadores participaram dos testes. Durante esse período, os pesquisadores acompanharam 1.057 redes com câmeras, sistemas de GPS e outros equipamentos de monitoramento.

Os cientistas registraram 191 capturas acidentais de animais, incluindo 153 aves, 25 focas e 13 cetáceos. Entre as aves afetadas estavam o arau comum e a torda mergulheira, espécies que mergulham para procurar alimento e podem acabar presas nas redes de pesca.

Os resultados demonstraram diferenças importantes entre os dispositivos. Enquanto a boia com olhos móveis reduziu em 59% a probabilidade de captura das aves estudadas, a pipa com formato de ave de rapina alcançou uma redução de 71%.

Além disso, os pesquisadores observaram menos capturas de aves nas redes equipadas com as boias em comparação com as redes convencionais. Portanto, os resultados indicam que estímulos visuais podem ajudar a diminuir os riscos para esses animais.

Por que as redes de pesca representam um perigo?

As redes de emalhe permitem capturar peixes ao manter uma estrutura de malhas verticalmente na água. Entretanto, embora sejam importantes para determinadas atividades pesqueiras, elas também podem prender animais que não fazem parte do objetivo da pesca.

As aves marinhas mergulham para capturar peixes e, durante essas buscas, podem ficar emaranhadas nas malhas. Como precisam retornar à superfície para respirar, o aprisionamento subaquático pode provocar o afogamento.

Esse problema recebe o nome de captura acidental e representa uma ameaça à conservação de diferentes espécies marinhas. Além disso, estimativas indicam que aproximadamente 95 mil aves mergulhadoras acabam capturadas acidentalmente em redes de pesca nas águas europeias a cada ano.

Por esse motivo, pesquisadores buscam métodos que permitam manter a atividade pesqueira e, ao mesmo tempo, reduzir os danos à fauna marinha.

Proteção depende do comportamento das aves

Os pesquisadores também observaram que a eficácia dos dispositivos depende da distância entre os equipamentos e as redes. Por isso, a distribuição das boias e das pipas precisa considerar a área que cada dispositivo consegue proteger.

Outro resultado importante envolve a época do ano. O estudo identificou que a maior parte das capturas de aves ocorreu durante o inverno na região analisada. Dessa forma, os pescadores podem utilizar essas informações para reforçar as medidas de proteção nos períodos de maior risco.

Além disso, fatores como vento, profundidade, horário da pesca e comportamento das espécies podem influenciar os resultados. Os cientistas também precisam investigar se as aves podem se acostumar com os estímulos visuais depois de um período prolongado de exposição.

Portanto, embora os primeiros resultados sejam positivos, novas avaliações ajudarão a determinar como os dispositivos funcionam em diferentes condições ambientais.

Tecnologia pode ajudar a preservar a vida marinha

Os resultados mostram que soluções relativamente simples podem contribuir para reduzir a captura acidental de aves sem impedir o trabalho dos pescadores. Nesse contexto, a colaboração entre pesquisadores e profissionais da pesca foi importante para avaliar os equipamentos em condições reais.

Apesar dos avanços, os dispositivos não eliminam completamente o risco. Por isso, os cientistas defendem novas avaliações para aperfeiçoar a tecnologia e identificar as situações em que ela oferece maior proteção.

De modo geral, a pesquisa demonstra como a combinação entre conhecimento científico e práticas de pesca pode diminuir os impactos humanos sobre os oceanos. Com o aperfeiçoamento dessas soluções, os pesquisadores esperam ampliar a proteção das aves marinhas e contribuir para uma atividade pesqueira mais sustentável.

Fonte: r7

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