Explosão em mancha solar gigante gera apagões de rádio na Terra

Várias já foram as expedições e os estudos para tentar entender o sol e como ele funciona. A atividade dele é monitorada há tempos e esse estudo da nossa estrela ainda é feito. Justamente por isso que sempre existem novas descobertas, como, por exemplo, a maior explosão até o momento ocasionada pela mancha solar gigante AR3664. Essa explosão aconteceu na última sexta-feira e provocou apagões de rádio na Terra.

Chamado X3.98, a explosão solar teve seu pico nas primeiras horas da manhã de sexta-feira e provocou uma perda temporária ou completa dos sinais de rádio de alta frequência (HF) na Ásia, Europa Oriental e África Oriental.

Maior até agora

De acordo com Keith Strong, físico, essa explosão não foi somente a maior erupção solar da AR3664 até agora, como também a quarta maior erupção solar desse ciclo. “Aqui vamos nós novamente, a região ativa 3664 acaba de produzir um flare X4 que atingiu o pico às 06:50 UT. Essa seria a quarta maior erupção de raios-x até agora durante este ciclo solar”, disse ele em uma publicação em seu Twitter.

Explosão solar

A  AR3654 tem sido uma mancha bem ativa nos últimos tempos. Tanto que, na primeira semana desse mês, ela liberou uma grande quantidade de partículas que fizeram com que acontecessem blecautes de rádio na região do oceano Pacífico.

De acordo com os dados do satélite GOES-16, da NASA, essa explosão solar teve sua classificação como M9.53, o que quer dizer que sua intensidade foi tanta que faltou pouco para que ela mudasse para a classificação X, que são as  explosões mais fortes de todas.

Normalmente, uma explosão solar acontece quando a energia magnética se acumula na atmosfera do sol e libera uma quantidade grande de energia e radiação eletromagnética de uma hora para outra. Existem ao todo cinco tipos de erupções solares, são elas: classe X, M, C, B e A. As mais poderosas são as de classe X, depois as de classe M têm uma potência cerca de 10 vezes menor. Depois delas vêm as erupções C, B e A. Essas são fracas e não causam nenhum tipo de efeito grande no nosso planeta.

Como essa explosão foi bastante intensa, a radiação que ela liberou acabou afetando as regiões nos arredores do Pacífico que estavam voltadas para o sol quando ela aconteceu. Por conta disso que os tripulantes de embarcações e operadores de radioamador podem ter perdido o sinal no caso de a frequência ser abaixo dos 20 MHz. Essa interrupção deve ter durado 30 minutos depois do pico da explosão solar, que foi às 20h46 no horário de Brasília.

Essa explosão não teve nenhum efeito no nosso país, mas não é sempre que a atividade solar passa desapercebida pelo Brasil. Um exemplo disso foi em março, quando aconteceu uma erupção solar relativamente forte e gerou apagões de rádio no litoral e nas regiões nordeste e sudeste.

Esses apagões nos rádios são uma coisa comum de acontecer depois dessas explosões solares fortes porque elas liberam radiação ultravioleta e raios X. Eles acabam ionizando o topo da atmosfera terrestre, o que aumenta a densidade do ar e consequentemente interfere nas camadas onde os sinais de rádio têm que atravessar para que a comunicação a grandes distâncias seja feita.

Outro ponto para essa consequência é que as ondas de rádio que interagem com os elétrons que ficam nas camadas ionizadas da atmosfera do planeta acabam colidindo mais frequentemente e perdem energia. Por conta disso, os sinais de rádio acabam sendo degradados ou totalmente absorvidos pela atmosfera.

Fonte: Terra, Canaltech

Imagens:  Twitter

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