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Fósseis de um peixe-boi de 20 milhões de anos foi encontrado no Panamá

POR Jesus Galvão    EM Ciência e Tecnologia      27/02/19 às 14h53

Enquanto estava à procura de fósseis botânicos no Canal do Panamá, o pesquisador estadunidense, Steven Manchester, curador de paleobotânica do Museu de História Natural da Florida, nos Estados Unidos, encontrou restos mortais do mamífero marinho mais antigo da América Central. O animal, cujos os fósseis foram encontrados, era de um peixe-boi de aproximadamente 20 milhões de anos.

A descoberta aconteceu quando o paleontólogo se separou dos demais membros do grupo de cientistas que trabalhavam na área, para inspecionar o litoral e percebeu, enquanto procurava por folhas fósseis e madeira petrificada, partes de um esqueleto saindo de algumas rochas, segundo ele mesmo relatou ao jornal The Independent.

Um encontro ao acaso

"Ele rapidamente nos levou até onde encontrou o esqueleto saindo de rochas. Havia duas ou três vértebras, na cor alaranjada, mergulhando na rocha escura ao lado do canal e com algumas costelas ao redor delas. Nós imaginamos que haveria mais na parte interna", disse o líder da pesquisa executada no Panamá, Aaron Wood.

Uma escavação de emergência foi realizada então, uma vez que os cientistas temiam que um aumento nos níveis de água no canal pudesse atrapalhar a pesquisa. Para surpresa dos pesquisadores, os itens encontrados estavam em ótimo estado de conservação.

O esqueleto encontrado por Manchester é a primeira evidência de um mamífero marinho no lado Pacífico do canal. Com a escavação, foram encontrados o crânio, vértebras, costelas e outros ossos pertencentes ao Culebratherium alemani que são parentes dos dugongos, que inclui os peixes-boi e as vacas marinhas modernas.

Em um artigo para o Journal of Vertebrate Paleontology, o animal possuía aproximadamente 4,5 metros de comprimento, mas por conta de suas pequenas presas, ele provavelmente não era um animal adulto. Sua alimentação aparentemente consistia em ervas marinhas. Ele usava os músculos do pescoço, suas presas e o focinho, que apontava para baixo, para cavar o fundo do oceano.

Algumas espécies, mais de 30, na verdade, já foram recuperadas em fósseis. Apenas uma espécie ainda vive nos dias atuais. Em 1741, o dugongo-de-steller (Hydrodamalis gigas) foi declarado extinto devido à caça predatória. De acordo com os cientistas, a espécie encontrada pode ter se originado no Atlântico Oeste e no Caribe, posteriormente indo para o oeste através do canal.

"Hoje, o Panamá é a junção de dois continentes, e é aí que temos uma mistura de mamíferos entre as Américas do Norte e do Sul. No início do Mioceno, quando esse peixe-boi viveu, não era uma conexão terrestre, mas uma marítima entre o Atlântico e o Pacífico" conclui Wood.

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Jesus Galvão
Goiano, Canceriano e Publicitário.
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