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Homem é contaminado 78 vezes pela Covid-19

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Desde novembro de 2020, o turco Muzaffer Kayasan, de 56 anos, testou positivo para a Covid-19 pelo menos 78 vezes. De acordo com o portal britânico Independent, os médicos da Turquia atribuem a condição seguida de reinfecção ao sistema imunológico enfraquecido de Kayasan, que sofre de leucemia.

No país, quando alguém testa positivo para a Covid-19, é necessário realizar o isolamento social por sete dias. Segundo a mídia local, desde a primeira vez que contraiu o coronavírus, Kayasan já passou nove meses no hospital e apenas cinco em sua casa, em Istambul.

YouTube/CNN Turkey

“Ele foi o caso mais longo que já rastrearam e está sendo monitorado de perto para qualquer risco de uma variante mutada”, afirmou o professor de doenças infecciosas da Universidade de Istambul, Serap Simsek Yavuz, que também é médico de Kayasan.

Em entrevista replicada pelo jornal O Povo, Kayasan afirmou que não pode nem mesmo ser vacinado por conta da condição que apresenta, visto que ele trata um câncer e é constantemente reinfectado pelo Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19).

Um estudo da Sociedade de Leucemia e Linfoma (LLS, na sigla em inglês), sediada nos Estados Unidos, mostrou que um em cada quatro pacientes com este tipo de câncer não produz anticorpos detectáveis contra a Covid-19, mesmo após receber duas vacinas.

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YouTube/CNN Turkey

Devido aos resultados positivos, Kayasan foi impossibilitado de conviver com a família. Apenas a esposa e o filho o visitam às vezes. Já o único contato que a neta, Azra, tem com o avô é pelo vidro da porta dos fundos.

Por que os casos de reinfecção pela Covid-19 acontecem?

Um artigo intitulado “Evidência genética e resposta imunológica do hospedeiro em pessoas reinfectadas com Sars-CoV-2”, publicado em 2021 na revista Emerging Infectious Desease, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC/EUA), mostra que uma primeira exposição à Covid-19 em casos leves ou assintomáticos pode não produzir resposta imunológica. Além disso, em caso de reinfecção, a segunda contaminação pode provocar sintomas mais fortes do que a primeira, indica o estudo.

Os dados, apresentados pelo portal Fiocruz, mostram que a parcela da população que é contaminada pela Covid-19 na forma branda (em que não é necessária a hospitalização) não está imune. O estudo indica ainda que a reinfecção pode ser mais frequente do que se supõe e pode acontecer tanto pela mesma cepa quanto por uma diferente.

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Pixabay

O caso de ser infectado pela mesma variante acontece porque o paciente não teria criado uma memória imunológica. No caso de uma outra cepa, ela “escaparia” da vigilância, não seria reconhecida pela memória gerada anteriormente por ser um pouco diferente.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores acompanharam semanalmente um grupo de 30 pessoas de março de 2020, no início da pandemia, até o fim do ano. Destas, quatro contraíram o Sars-CoV-2, sendo que algumas foram infectadas pela mesma variante. Os pesquisadores, então, sequenciaram o genoma do vírus no caso da primeira infecção e depois na segunda para poder compará-los.

De acordo com o pesquisador Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), responsável por coordenar o estudo, nos quatro casos, a primeira infecção se deu com sintomas leves. Na segunda, os sintomas foram mais frequentes e mais fortes, mas não necessitaram de hospitalização.

“Essas pessoas só tiveram de fato a imunidade detectável depois da segunda infecção. Isso leva a crer que para uma parte da população que teve a doença de forma branda não basta uma exposição ao vírus, e sim mais de uma, para ter um grau de imunidade”, explicou Moreno.

Ainda segundo o pesquisador, uma terceira ou quarta infecção são possíveis. Até mesmo 78 infecções, como é o caso do turco Muzaffer Kayasan, que apresenta um nível de contaminações raro, mas não impossível.

Fontes: O Povo e Fiocruz

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