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João de Deus e advogada pedem registro de casamento

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João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, pediu para converter a união estável que tem atualmente com a advogada Lara Cristina Capatto em casamento. O líder religioso foi condenado por diversos crimes sexuais contra mulheres que o procuraram para tratamento e conselhos espirituais. Hoje, ele cumpre prisão domiciliar em Anápolis, a 55 km de Goiânia, Goiás.

De acordo com informações de um cartório na cidade, o casal tem união estável desde 1º de setembro de 2021 e pediu a conversão em casamento no dia 8 de abril. Sendo assim, João de Deus e Lara Cristina Capatto oficializaram o casamento em um cartório de Anápolis nesta quarta-feira (4).

João de Deus, de 79 anos, foi condenado por diversos crimes sexuais. Porém, nega qualquer abuso durante os atendimentos espirituais realizados durantes seus anos na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) já denunciou João de Deus 15 vezes por crimes sexuais. O religioso já foi condenado por abusar de dez mulheres e, em juízo, restam 12 denúncias, que envolvem 56 mulheres, que aguardam o julgamento.

Condenações

Igo Estrela/Metrópoles

De acordo com o Tribunal de Justiça, João de Deus foi condenado por posse ilegal de arma de fogo, o que garante uma pena de 4 anos em regime semiaberto, em decisão de novembro de 2019. Ele também foi condenado por crimes sexuais cometidos contra quatro mulheres, cuja pena é de 19 anos em regime fechado, em decisão de dezembro de 2019.

Além disso, João de Deus foi condenado por outros crimes sexuais contra cinco mulheres, com pena de 40 anos em regime fechado, em decisão de janeiro de 2020. Por violação sexual mediante fraude, com pena de dois anos e meio, que podem ser cumpridos em regime aberto, em decisão de maio de 2021.

Também foi condenado por estupro e estupro de vulnerável contra quatro mulheres, com pena de 44 anos de prisão, em decisão de novembro de 2021. Por fim, por violação sexual mediante fraude, com pena de quatro anos de prisão, em decisão de janeiro de 2022.

Denúncias

Reprodução

A primeira mulher a levar a denúncia contra João de Deus ao público foi Zahira Leeneke Maus, uma coreógrafa holandesa. Ela contou, no programa Conversa com Bial, sobre a violência sofrida enquanto esteve em Abadiânia, Goiás, para receber um atendimento espiritual.

Assim, Zahira contou que ouviu relatos de outras mulheres e concluiu que havia um passo a passo que João de Deus seguia para fazer vítimas. “A primeira coisa é ‘vire de costas, eu vou te curar’. Existe um padrão (…) Você é manipulada a acreditar na cura”, disse.

Após a entrevista de Zahiram, outras mulheres decidiram denunciar os abusos sofridos quando tiveram contato com João de Deus para atendimentos espirituais. Dessa forma, autoridades criaram uma força-tarefa para investigar os crimes descritos em mais de 300 relatos.

Relatos das vítimas

Uma mulher de 33 anos, que também falou no programa Conversa com Bial, relatou que procurou João de Deus porque sofria com depressão e síndrome do pânico. De acordo com ela, logo que ficou desacompanhada na presença de João de Deus, ele trancou a porta da sala.

“‘Levanta aqui que vou limpar seus chacras’ [ele disse]. Nisso ele ficou em pé, eu fiquei na frente dele, e ele já começou a fazer movimento, passando a mão no meu peito. Nisso ele me virou e pediu pra fazer massagem na barriga dele. Eu fazendo essa massagem, ele pedia pra eu fazer com força, pedia pra eu ficar de olho aberto, e eu não conseguia porque eu já tava incomodada.”

“Aí ele me afastou um pouco e já tirou o pênis pra fora. E pegava na minha mão pra pegar no pênis dele, eu tirava a mão e ele falava: ‘Você é forte, você é corajosa. O que você tá fazendo tem um valor enorme’. Eu não tava fazendo nada. Estava ali sendo abusada. Eu não tava fazendo nada.”

“Se entregue”

Outro relato é de uma mulher que deu entrevista ao Conversa com Bial ao lado do marido. Ela contou que procurou a casa de Abadiânia depois de passar por um tratamento de câncer de mama. Lá, ela se submeteu a uma cirurgia espiritual, e foi orientada a voltar para uma revisão.

No encontro, ela recebeu um pedido de João de Deus. “O que eu fizer aqui dentro, você não vai falar pra ninguém”. “E ele falou assim: ‘você levante que vou te curar’. E você vai ter que se entregar. Aí pediu pra ficar de costas e nisso ele começou a passar a mão no meu corpo, no meu abdômen, no meu seio, pela minha nádega, que até então, ele ja tava comprimindo meu corpo. Aí eu comecei a chorar, comecei a ficar desesperada e eu só pensava assim: ‘Como eu vou sair daqui’. Eu olhava pra uma porta, olhava pra outra, e eu pensava: ‘Se eu gritar, tem milhares de pessoas aí fora que endeusam ele, chamam ele de João de Deus’.”

Testemunhas

Já Amy Biank, coach espiritual e autora estadunidense que levava pessoas para a Casa Dom Inácio de Loyola desde 2002 contou da vez que ouviu um grito de socorro. Ela entrou na casa e viu João de Deus forçando uma jovem a fazer sexo oral nele. Então, ele pediu para Amy fechar os olhos e sentar.

“Eu vi que ele estava com a calça aberta, ela estava ajoelhada e com uma toalha no ombro. Ela não estava querendo fazer sexo oral nele, foi por isso que ela gritou. Mas eu sentei no sofá e fechei meus olhos, porque eu estava tão doutrinada a achar que aquilo tudo era divino e especial”, disse ela a Pedro Bial.

Foram muitos relatos em relação ao João de Deus, que foi preso no dia 16 de dezembro de 2018. Assim, em março de 2020, ele passou para o regime de prisão domiciliar, passando para o presídio brevemente em 26 de agosto de 2021. Agora, ele segue em prisão domiciliar.

Fonte: G1

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