A labradora Sgiath patrulha as faixas costeiras na Escócia procurando espécies invasivas • Foto: Reprodução/CDD Scotland

Labradora recebe prêmio de Animal do Ano por farejar espécie marinha invasora conhecida como vômito do mar

Uma labradora chamada Sgiath recebeu o título de Animal do Ano de 2026 por uma habilidade incomum: farejar uma espécie marinha invasora conhecida como “vômito do mar”. A cadela vive na Escócia e ajuda a localizar colônias desse organismo, que ameaça a biodiversidade e pode prejudicar atividades como a pesca e a criação de ostras. A premiação foi concedida pelo Fundo Internacional para o Bem Estar Animal, conhecido pela sigla IFAW, em 15 de outubro de 2026.

Como a labradora ajuda a proteger o meio ambiente

Sgiath tem seis anos e foi treinada pela ecologista marinha Texa Sim, sua tutora, para identificar pelo cheiro a presença da ascídia tapete, cujo nome científico é Didemnum vexillum. O organismo costuma se fixar em superfícies submersas e pode passar despercebido em meio a algas e outras estruturas marinhas.

A labradora Sgiath patrulha as faixas costeiras na Escócia procurando espécies invasivas • Foto: Reprodução/CDD Scotland

A labradora Sgiath patrulha as faixas costeiras na Escócia procurando espécies invasivas • Foto: Reprodução/CDD Scotland

Durante as buscas no litoral escocês, a cadela utiliza o olfato para localizar as colônias. Quando encontra o organismo, ela permanece imóvel e olha fixamente para o ponto identificado, sinalizando à tutora que encontrou o alvo.

Além disso, Sgiath já trabalhou em operações de busca e resgate nas montanhas da Escócia. Sua experiência anterior demonstrou a capacidade de aprender tarefas complexas, característica que Texa aproveitou para desenvolver uma nova aplicação para o faro da labradora.

Segundo informações divulgadas pela imprensa britânica, a cadela já identificou centenas de colônias da espécie invasora. Dessa forma, seu trabalho pode ajudar especialistas a encontrar focos de contaminação e planejar ações de monitoramento ambiental.

O que é o chamado vômito do mar?

Apesar do nome curioso, o vômito do mar não é uma substância expelida por animais. Trata-se de uma ascídia colonial, um organismo marinho invertebrado que forma agrupamentos sobre rochas, estruturas portuárias, equipamentos de pesca e outros substratos submersos.

A espécie Didemnum vexillum é considerada invasora em diferentes regiões do mundo. Especialistas acreditam que ela seja originária do Japão e tenha se espalhado para outras áreas por meio do transporte marítimo.

O problema está na velocidade com que essas colônias podem crescer. Em determinadas condições, elas formam camadas que cobrem superfícies e competem com organismos nativos por espaço e recursos. Consequentemente, podem prejudicar habitats marinhos e afetar atividades econômicas ligadas ao oceano.

Além disso, pequenos fragmentos da colônia podem contribuir para a disseminação da espécie. Por esse motivo, identificar sua presença o mais cedo possível é fundamental para tentar conter sua expansão.

Por que o faro dos cães é tão importante?

O olfato dos cães permite detectar odores em concentrações muito baixas. Por isso, animais treinados conseguem encontrar alvos que seriam difíceis de localizar apenas pela observação visual.

No caso de Sgiath, essa habilidade representa uma alternativa para ajudar pesquisadores a identificar organismos invasores em áreas costeiras. Afinal, as colônias podem se esconder entre algas ou crescer em estruturas submersas, dificultando o trabalho de inspeção.

Além disso, a cadela demonstra como o treinamento de animais pode contribuir para pesquisas científicas e iniciativas de conservação ambiental. Embora os cães não substituam análises especializadas, eles podem ajudar a direcionar as equipes para os locais que precisam de investigação.

Prêmio reconhece animais que fazem a diferença

O título de Animal do Ano faz parte dos prêmios promovidos pelo Fundo Internacional para o Bem Estar Animal. A iniciativa reconhece animais cujas ações contribuem para a proteção de outras espécies, a conservação da natureza e o bem estar animal.

No caso de Sgiath, a homenagem destaca uma aplicação pouco comum das habilidades caninas. Em vez de procurar pessoas desaparecidas, como fazia em operações de resgate, a labradora passou a ajudar no combate a uma ameaça ambiental.

Assim, a história da cadela mostra como a combinação entre ciência, treinamento e habilidades naturais dos animais pode contribuir para enfrentar problemas ambientais. Seu trabalho também reforça a importância de desenvolver métodos capazes de identificar espécies invasoras antes que elas provoquem danos ainda maiores aos ecossistemas.

Fonte: Galileu

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