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Microplásticos são encontrados em pulmões de pessoas vivas

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Pela primeira vez na história, cientistas encontraram microplásticos nos pulmões de pessoas vivas. A pesquisa, que recebeu revisão de outros pesquisadores e foi aceita na revista científica Science of the Total Environment, foi publicada no dia 25 de março.

Assim sendo, o estudo ressalta a preocupação crescente em relação ao microplástico presente ao redor do mundo, assim como o aumento de consequências para a saúde.

Microplásticos são qualquer tipo de plástico que tenha menos de 5 milímetros, e agora podem ser encontrados em qualquer lugar do mundo. Isso engloba do topo do Monte Everet até o fundo do oceano. Além disso, o que vem preocupando pesquisadores é o fato de que esses microplásticos possam entrar no corpo humano por meio da comida, bebida e até pelo ar que respiramos.

Dessa forma, no último mês, outro estudo identificou microplástico no sangue humano pela primeira vez. Outra pesquisa sugere que nós inalamos e ingerimos cerca de 2 mil microplásticos por semana, o que equivale ao peso de um cartão de crédito.

Para quem acompanha o impacto que o plástico está tendo no meio ambiente, não é chocante que pesquisadores encontraram partículas no organismo humano. No entanto, cientistas ressaltam que o tamanho e a profundidade das partículas é o que chama a atenção.

Microplásticos nos pulmões

Segundo a doutora Laura Sadofsky, uma palestrante sênior em medicina respiratória na Escola de Medicina Hull York, na Inglaterra, a equipe “não esperava encontrar o maior número de partículas nas regiões inferiores dos pulmões, nem partículas do tamanho que encontramos.” A especialista fez a  declaração em uma coletiva de imprensa, sendo que Sadofksy é quem lidera a pesquisa em questão.


“É surpreendente, pois as vias aéreas são menores nas partes inferiores dos pulmões. Esperávamos que partículas desses tamanhos fossem filtradas ou presas antes de chegar tão fundo”, explicou a pesquisadora. Assim, a equipe espera que essa descoberta possa ajudar a determinar os impactos futuros do microplástico na vida humana.

No estudo em questão, os pesquisadores coletaram pequenas amostras de pacientes que se sujeitaram às cirurgias. Logo, encontraram microplásticos em 11 de um total de 13 casos.

Os tipos de partículas mais predominantes são polipropileno e polietileno tereftalato (PET), frequentemente usados ​​em embalagens plásticas e garrafas.

Por mais que essa seja a primeira vez que se encontra microplásticos em pulmões de pessoas vivas, a doutora Sadofsky destaca que estudos prévios já encontraram partículas de plástico em autópsias de cadáveres humanos.

Plásticos no sangue

Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Viena, na Áustria, descobriram que ingerimos quase 100 mil partículas de microplásticos por ano apenas pelo consumo de água mineral em garrafas pet. Contudo, não percebemos isso por causa do tamanho microscópico das partículas, que possuem de 0,001 a 5 milímetros de tamanho.

“Estudos recentes também indicaram a presença de MPs [microplásticos] em alguns alimentos terrestres, como frutas e vegetais comestíveis e arroz comprado em lojas, mas são necessárias mais pesquisas para replicar essas descobertas”, escreveram os pesquisadores.

De acordo com o estudo, essa ingestão pode causar mudanças em nosso trato intestinal. Isso leva a doenças metabólicas como obesidade, doença hepática crônica e diabetes.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Livre de Amsterdã, nos Países Baixos, encontraram microplásticos em amostras de sangue humano. O estudo foi publicado na revista Environment International, e os pesquisadores analisaram 22 pacientes adultos que se candidataram como doadores de sangue. Ao todo, identificaram partículas em 17 dos participantes.

Impacto na saúde

Ainda não se sabe exatamente quais são as consequências a longo prazo na saúde humana. Contudo, diversas pesquisas já identificaram que a presença de poluição de microplásticos está relacionada à danificação celular, estresse oxidativo, danos reprodutivos e obesidade.

Dessa forma, com o aumento da produção de plástico, especialistas defendem que a poluição de microplásticos será um problema duradouro.

“Precisamos nos apressar e investir na pesquisa para poder entender quais ameaças os plásticos representam para a saúde humana”, ressalta Jo Royle, em uma entrevista ao USA Today. Ela é CEO da Commons Seas, uma organização que foca na poluição de plásticos no oceano.

Fonte: Olhar Digital

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