Fotografia de um paciente usando fones de ouvido durante um procedimento médico, com um profissional de saúde ao fundo.

Estudo revela que ouvir sua música favorita pode reduzir a dor durante pequenos procedimentos médicos

Ouvir sua música favorita pode ajudar a diminuir a dor durante pequenos procedimentos médicos, como a inserção de uma agulha na veia. Uma pesquisa realizada com 204 pacientes submetidos a exames de ressonância magnética identificou que as pessoas que escutaram músicas escolhidas por elas mesmas relataram uma redução maior da dor em comparação com participantes que ouviram música relaxante ou não escutaram música.

Fotografia de um paciente usando fones de ouvido durante um procedimento médico, com um profissional de saúde ao fundo.

Fotografia de um paciente usando fones de ouvido durante um procedimento médico, com um profissional de saúde ao fundo.

O estudo foi divulgado em outubro de 2026 na revista científica Frontiers in Pain Research. Os pesquisadores investigaram se diferentes tipos de música poderiam influenciar a percepção da dor durante a colocação de uma cânula intravenosa, procedimento necessário para administrar contraste em determinados exames.

Os resultados sugerem que a escolha pessoal da música pode fazer diferença no conforto dos pacientes. Entretanto, os cientistas ressaltam que o efeito observado se refere a um procedimento específico e não significa que a música substitua anestésicos, analgésicos ou outros cuidados médicos.

Música favorita apresentou os melhores resultados

Durante a pesquisa, os 204 participantes foram divididos em quatro grupos. Um deles não ouviu música, enquanto os demais escutaram suas próprias músicas favoritas, uma seleção de músicas relaxantes ou a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, K. 448, de Wolfgang Amadeus Mozart.

Os pesquisadores avaliaram a intensidade da dor antes, durante e após a inserção da cânula intravenosa. As avaliações posteriores ocorreram aproximadamente 30 segundos e dois minutos depois do procedimento.

Entre as opções analisadas, ouvir músicas favoritas apresentou o efeito mais consistente na redução da dor percebida. Os participantes desse grupo relataram menos desconforto nos momentos avaliados, independentemente de já sentirem dor antes da intervenção.

A música de Mozart também apresentou resultados positivos em determinadas condições. No entanto, o benefício foi identificado principalmente entre os participantes que já relatavam dor antes da inserção da agulha.

Por outro lado, a música relaxante não demonstrou uma redução significativa da dor nas condições avaliadas. Isso indica que uma trilha sonora considerada calmante não necessariamente funciona melhor para todas as pessoas.

Por que ouvir uma música conhecida pode ajudar?

Uma das explicações possíveis envolve a atenção e as emoções. Durante um procedimento médico, a expectativa da dor pode aumentar a ansiedade e fazer com que a pessoa concentre sua atenção no desconforto.

Nesse contexto, uma música familiar e apreciada pelo paciente pode funcionar como uma forma de distração. Além disso, lembranças positivas e associações emocionais relacionadas à canção podem influenciar a maneira como o cérebro interpreta a experiência.

A preferência individual também pode ter um papel importante. Em vez de ouvir uma seleção escolhida por outra pessoa, o paciente escuta algo com que já possui uma conexão emocional.

Apesar dessas hipóteses, o estudo não estabelece um único mecanismo responsável pelo efeito observado. A percepção da dor envolve fatores físicos, emocionais e individuais, que podem variar de uma pessoa para outra.

O que os resultados significam para os pacientes?

Os resultados indicam que ouvir música escolhida pelo próprio paciente pode ser uma estratégia simples para tornar determinados procedimentos médicos menos desconfortáveis. Em situações como a coleta de sangue, a colocação de uma cânula ou outros procedimentos breves, essa possibilidade pode contribuir para uma experiência mais tranquila, desde que a equipe de saúde permita o uso de fones ou outros dispositivos.

Além disso, a intervenção tem baixo custo e não exige medicamentos. Ainda assim, sua aplicação depende das características do procedimento e das orientações dos profissionais responsáveis pelo atendimento.

É importante destacar que a pesquisa analisou uma situação específica, com dor de curta duração. Portanto, ainda são necessários novos estudos para determinar se os mesmos resultados se repetem em intervenções mais dolorosas ou prolongadas.

Música pode complementar os cuidados médicos, mas não substituí-los

A pesquisa reforça o interesse científico pelo uso da música como recurso complementar no cuidado à saúde. Outros estudos também investigam seus possíveis efeitos sobre a ansiedade, o estresse e a percepção da dor em diferentes contextos clínicos.

No entanto, a música não deve ser considerada um tratamento universal. Cada paciente responde de maneira diferente, e procedimentos médicos podem exigir medidas específicas de controle da dor.

A principal conclusão é que a música favorita pode ajudar algumas pessoas a sentir menos desconforto durante pequenas intervenções. Por isso, perguntar ao paciente o que ele gostaria de ouvir pode ser uma alternativa simples para tornar o atendimento mais confortável, sem substituir os tratamentos indicados.

Fonte: Estadão

Seguir
Buscar
Carregando

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...