Nas profundezas da Antártida, animais marinhos ingerem microplástico há mais de quatro décadas, revela estudo

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadesjaneiro 27, 2025

Todos nós estamos cientes dos problemas ambientais causados pelo plástico. Um dos ambientes mais afetados pela poluição são os oceanos porque eles são o lar de mais de 20 mil espécies conhecidas e pode ter até dois milhões desconhecidas. Conforme um estudo feito por cientistas do Instituto Oceanográfico (IO) da US, os animais marinhos estão ingerindo microplásticos nas profundezas da Antártida por, pelo menos, quatro décadas.

Essa descoberta aconteceu com a análise que os pesquisadores fizeram, do conteúdo gastrointestinal, de mais de cem organismos coletados das profundezas do Oceano Austral ,entre 1986 e 2016. O resultado é que um terço dos micro detritos estavam presentes, como por exemplo, fibras de vários materiais plásticos como poliamida, poliéster e polietileno.

Dentre as descobertas, feitas pelo estudo, está o registro mais antigo da presença de microplástico no ambiente antártico que é uma fibra azul, de pouco mais de 2 milímetros, vista nas vísceras de um crustáceo pequeno parecido com um camarão, o misidáceo, coletado em fevereiro de 1986.

Esse fragmento era feito de polisulfona, um polímero plástico resistente a altas temperaturas e bastante usado nos revestimento de fiações elétricas e de encanamentos. A hipótese de sua origem é que tenha vindo de materiais que foram usados na construção de várias estações de pesquisa da região.

O estudo ressalta que a Antártida, mesmo com sua ocupação baixa e distância dos grandes centros urbanos, não está imune à poluição humana.

“A ocorrência de fibras na margem continental mais remota do mundo renova as preocupações com a poluição em regiões aparentemente isoladas”, escreveram os pesquisadores.

“A gente sempre esperou que fosse encontrar microplásticos, só não sabia quanto”, contou o biólogo Gabriel Stefanelli Silva, que fez a pesquisa como parte de seu doutorado no IO, sob orientação do professor Paulo Sumida do Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo (Lamp).

Animais marinhos e microplástico

Conexão planeta

As concentrações de microplásticos nos organismos dos animais marinhos são equivalentes as vistas em outros estudos que foram feitos tanto no Ártico como em lugares com uma densidade populacional maior. “É uma preocupação muito grande porque a gente esperava que a Antártida fosse um ambiente um pouco mais livre desse tipo de contaminação, mas não é”, pontuou Silva.

Ao todo, os pesquisadores fizeram a análise do conteúdo estomacal e/ou intestinal de 169 organismos bentônicos, que são os animais fixados ou relacionados com o substrato marinho, de 15 espécies.

Como resultado, eles viram que 53 dos 169 animais marinhos, tinham microplásticos com o total de 85 microfibras (fragmentos de fibras com menos de 5 milímetros de comprimento). Mesmo que tenham sido identificados 85 fragmentos sintéticos através de técnicas de espectroscopia, não significa que não existam mais plásticos entre as outras 78 amostras.

“É totalmente possível que haja mais plásticos nas amostras. O que apresentamos no trabalho é uma estimativa bem conservadora”, concluiu Silva.

Fonte: Conexão planeta 

Imagens: Conexão planeta 

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