Ciência e Tecnologia

O homem que teve o cérebro transformado em vidro

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Pode parecer impossível, mas não é. Pela primeira vez na história, o cérebro de um homem foi encontrado vitrificado. É isso mesmo que você está pensando: o cérebro foi transformado em vidro. O motivo é ainda mais inusitado. Tudo aconteceu devido ao forte calor liberado por um vulcão, que vitrificou o cérebro do homem. 

O vulcão Vesúvio e o cérebro de vidro

A erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., na Itália, gerou um dos sítios arqueológicos mais ricos do mundo. O local foi completamente devastado pelo material vulcânico, assim como vilarejos vizinhos. Com o acontecimento, milhares de pessoas foram mortas e soterradas e assentamentos romanos na região onde hoje fica Nápoles foram destruídos.

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Nos últimos tempos, uma descoberta fascinante foi realizada devido ao material enterrado na região e publicada na revista New England Journal of Medicine. Uma das vítimas encontradas em um vilarejo chamado de Herculaneum, localizado próximo ao vulcão, sofreu com um calor tão extremo que teve seu cérebro transformado em vidro.

O corpo petrificado, pertencente a um homem de cerca de 20 anos, foi desenterrado na década de 1960. Acredita-se que ele seria zelador do Collegium Augustalium, onde os seus restos mortais foram encontrados. O corpo estava deitado em uma cama de madeira, enterrada em meio às cinzas vulcânicas.

Contudo, foi apenas recentemente que uma equipe de pesquisadores decidiu retirar fragmentos do material escuro que havia dentro do crânio da vítima para realizar estudos. A pesquisa e a descoberta foi publicada no ano de 2020.

De acordo com o antropólogo forense e principal autor do estudo, Pier Paolo Petrone, da Universidade de Nápoles Federico II, “a preservação de um cérebro antigo é algo extremamente raro, muito difícil de encontrar”. Ainda segundo Petrone, essa foi a primeira vez na história que um cérebro vitrificado por conta do calor foi encontrado.

cérebro

The New England Journal of Medicine

Em geral, quando o tecido cerebral é encontrado, os pesquisadores se deparam com outro tipo de material na região do crânio, uma substância semelhante ao sabão. Por esse motivo, a descoberta é tão rara e importante, já que se trata de um caso único em toda a história.

A pesquisa

A partir da análise de um pedaço de madeira queimada, encontrada próxima ao corpo, foi possível descobrir que a temperatura do ambiente após a erupção do vulcão foi de 520° C. A temperatura foi tão alta para ser suportada pelo corpo humano que a gordura corporal foi incendiada e os tecidos macios evaporados. Segundo o estudo, o processo incluiu também o resfriamento natural do material, posteriormente.

No resíduo vitrificado, de cor escura, foram detectadas proteínas que existem no cérebro humano, além de ácidos graxos, comuns ao cabelo humano. Mais tarde, descobriu-se que o fragmento era rico em carbono e oxigênio, o que é esperado para restos orgânicos. No entanto, o que inquietou os cientistas foi que, mesmo após dois milênios, o cérebro ainda possuía neurônios preservados.

Segundo o estudo, isso foi possível porque o processo de vitrificação congelou os neurônios do rapaz e permitiu que se mantivessem intactos até os dias atuais. Prova disso é que o resíduo vitrificado do cérebro pode ser estudado muito tempo após a explosão do vulcão e, ainda, anos após a descoberta do corpo.

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