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O relacionamento de Charles Darwin com Emma Wedgwood

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Quando o cientista inglês Charles Darwin ainda tinha 29 anos, decidiu tomar uma importante decisão, se teria ou não uma esposa. Por causa disso, o “Pai da Evolução” resolveu adotar um método extremamente prático para tomar uma decisão que afetaria toda a sua vida. 

Darwin listou para si mesmo os prós e contras do casamento. No final, notou que os números aumentaram em favor da esposa, o que significava que estava na hora de ele encontrar uma companheira.

Uma das exigências de Darwin era que a esposa deveria ser quem ele se importasse e já conhecesse. Isso era algo relativamente fácil de resolver, porém, o grande problema é que o naturalista gostava de Emma Wedgwood, de 30 anos, sua prima de primeiro grau. Por causa desse casamento entre primos que a vida do cientista foi definida.

Vale destacar que os casamentos entre primos ainda eram bastante comuns na Europa ao longo do século 19, um exemplo é a rainha Vitória, que se casou com seu primo de primeiro grau. Além disso, as famílias Darwin e Wedgwood estavam particularmente interessadas na prática, isso porque quatro dos irmãos de Emma se casaram com outros primos. Com a mulher não seria tão diferente, pois ela sempre foi próxima de Darwin. Por causa disso, quando o casamento dos dois foi anunciado, as duas famílias ficaram encantadas.

Porém, havia um membro da família que não apoiava a ideia. O meio-primo de Charles, o cientista Francis Galton (que inventou o termo “eugenia”), alertou sobre os perigos do casamento entre primos.

Galton ressaltou que 8 dos 62 descendentes do avô de Charles e Emma não tiveram filhos que sobreviveram à infância. Ainda assim, a união foi oficializada em janeiro de 1839.

O relacionamento de Emma com Charles Darwin

Foto: Reprodução

De acordo com os relatos da época, o casamento entre Emma Darwin e Charles foi próspero e harmonioso, mesmo com a mulher sendo bastante religiosa e tendo perturbações devido às dúvidas espirituais de seu marido, que era focado na ciência. Apesar do pai de Charles ter orientado o filho a não comentar as suas teorias contrárias às noções de sua esposa, o biólogo não escondeu nada de Emma.

Mesmo com ideias diferentes, Emma ainda concordou em se casar, declarando: “Ele é o homem mais aberto e transparente que eu já vi, e cada palavra expressa seus pensamentos reais”. Charles respondeu, afirmando que Emma o humanizaria. “Logo me ensinaria que há mais felicidade do que construir teorias e acumular fatos em silêncio e solidão”, dizia o cientista.

Apesar de terem encontrado uma maneira de fazer o casamento funcionar mesmo com a espiritualidade da esposa e a blasfêmia do marido, o casal não conseguiu escapar das consequências negativas do casamento entre parentes próximos.

A consequência do parentesco 

Foto: Reprodução

Os dez filhos de Emma Darwin com Charles costumavam ficar doentes com frequência. Além disso, três não sobreviveram até a idade adulta. Dos sete que sobreviveram, existem relatos afirmando que três eram inférteis.

Acredita-se que Darwin lembrou do aviso de Galton ao escrever: “Quando ouvimos dizer que um homem carrega em sua constituição as sementes de uma doença herdada, há muita verdade literal na expressão”.

O filho do casal, nomeado como Charles, faleceu ainda criança, a filha Henrietta ficou de cama por anos com doenças digestivas, e Horace e Elizabeth sofriam de convulsões com frequência. Parecia que todas as crianças tinham alguma doença, o que levou Charles ao desespero: “Somos uma família miserável e devemos ser exterminados”.

O cientista descobriu que existem consequências negativas para a procriação entre parentes próximos (por causa do aumento da chance de expressão de características recessivas prejudiciais), e estudos posteriores em humanos deixaram isso claro. 

Além disso, Charles estava certo em se preocupar, afinal uma análise de 2010 de sua árvore genealógica provou que o casamento entre primos ainda gera consequência entre os descendentes.

Fonte: Aventuras na História

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