“Oásis de vida” é descoberto nas profundezas do Oceano Ártico

Cientistas realizaram uma descoberta impressionante a mais de 3 mil metros de profundidade no Oceano Polar Ártico: um oásis de vida.

Eles identificaram um campo de fontes hidrotermais ao longo de uma cordilheira subaquática próxima à costa de Svalbard, na Noruega. Este local é considerado uma luz em meio à escuridão.

Anteriormente, a região era vista como um abismo escuro com pouca vida. No entanto, a atividade vulcânica sob o fundo do mar faz com que o calor penetre, criando refúgios térmicos e reações químicas que permitem a prosperidade da vida.

O campo, chamado Jøtul em homenagem aos gigantes da mitologia nórdica que vivem sob montanhas, mede pelo menos um quilômetro de comprimento e 200 metros de largura.

A descoberta é significativa para o avanço na compreensão da distribuição da fauna quimiossintética. Além disso, ela pode fornecer informações valiosas sobre a química dos oceanos. O estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Via Wikimedia

O que é oásis?

Um oásis é uma área fértil encontrada em meio a um deserto, onde há disponibilidade de água e vegetação.

Dessa forma, a água pode vir de fontes naturais, como nascentes ou rios subterrâneos que emergem na superfície.

No contexto figurado, como no texto sobre a descoberta no Oceano Polar Ártico, “oásis de vida” se refere a uma área rica em vida e recursos em um ambiente geralmente hostil e inóspito.

O que são fontes hidrotermais?

De acordo com os pesquisadores, a água penetra no fundo do oceano, onde é aquecida pelo magma. A água superaquecida, então, sobe de volta ao fundo do mar por meio de rachaduras e fissuras.

Durante este processo, o fluido fica enriquecido em minerais e materiais dissolvidos das rochas da crosta oceânica.

O Campo de Jøtul está localizado na fronteira entre duas placas tectônicas, no que é conhecido como uma crista de propagação lenta. As placas estão se afastando muito lentamente, o que faz com que a crosta se estique e crie fissuras e rachaduras.

Nesse caso, campos de ventilação hidrotermal formam alguns dos ambientes submarinos mais interessantes para os cientistas. Afinal, geralmente estão em grandes profundezas, onde não chega a luz solar.

Assim, cria uma escuridão permanentemente, um frio extremo e uma pressão enorme, condições muito adversas à vida.

Já as fontes hidrotermais atuam como oásis de vida. Os minerais que se infiltram e se dissolvem na água fornecem a base para uma teia alimentar dependente a partir da quimiossíntese, aproveitando as reações químicas para obter energia, em vez da luz solar.

Via PxHere

Importância

A descoberta do campo de fontes hidrotermais a mais de 3 mil metros de profundidade no Oceano Polar Ártico tem grande importância científica e tecnológica.

Primeiramente, ela revela como a vida pode prosperar em condições extremas e inóspitas, aumentando nosso conhecimento sobre ecossistemas que dependem da quimiossíntese em vez da fotossíntese.

Isso ajuda a compreender a distribuição e a dinâmica das comunidades de organismos que vivem em torno de fontes hidrotermais. Enquanto isso, fornece insights sobre a biodiversidade em locais profundos do oceano.

Além disso, a descoberta oferece dados sobre a atividade vulcânica subaquática e os processos geológicos nas profundezas do oceano, contribuindo para a geologia e vulcanologia marinha.

A química dos oceanos também pode ficar mais clara para nós, já que essas fontes hidrotermais influenciam as reações químicas que ocorrem nas profundezas, impactando ciclos biogeoquímicos como os do carbono e do enxofre, fundamentais para a saúde do ambiente marinho e do clima global.

Do ponto de vista tecnológico, os organismos que vivem em ambientes extremos podem ter adaptações únicas, que podem ser exploradas para desenvolver novas biotecnologias e medicamentos.

Além disso, a descoberta tem implicações para a exploração espacial, pois a vida em fontes hidrotermais pode servir como analogia para possíveis formas de vida em outros planetas ou luas, como Europa, uma das luas de Júpiter.

 

Fonte: Olhar Digital

Imagens: PxHere, Wikimedia

Seguir
Buscar
Carregando

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...