Os animais podem viver em câmera lenta

Quem vê tempo rápido vive mais devagar

Se você já tentou pegar uma mosca e sentiu que ela escapa em câmera lenta, calma: você não ficou torto,  ela percebe o mundo em “bullet time”. A ideia aqui é simples: tudo depende da velocidade com que o cérebro processa estímulos. Um teste clássico mostra luzes piscando cada vez mais rápido até parecer uma luz contínua, o ponto em que isso acontece é chamado de frequência crítica de fusão de cintilação (CFF). Quanto maior a CFF, mais o tempo parece estendido.

Metabolismo acelera o tempo, literalmente

Estudos indicam que animais menores com metabolismo acelerado têm CFFs mais altas, conseguem distinguir movimentos mais rápidos. É como se você visse um filme em câmera lenta e isso é especialmente útil na hora de escapar de predadores ou capturar presas.

Quem “lê” o tempo mais rápido? Veja essa escala:

  • Moscas: até 300 Hz, percebem 300 quadros por segundo!
  • Pardal: 146 Hz
  • Cães: 75 Hz
  • Humanos: cerca de 65 Hz

É por isso que uma mosca parece escapar em câmera lenta quando você tenta espantá-la, seu “olho mental” está processando o mundo muito mais rápido que o nosso.

Voando ou caçando: quem percebe o tempo mais rápido?

Outra pesquisa revelou que os que têm a percepção temporal mais afiada são os pequenos voadores e predadores marinhos. Eles precisam de reflexos finíssimos. Já animais lentos, como tartarugas, têm menos necessidade disso.

No laboratório, estimulando neurônios que produzem dopamina, a percepção do tempo em ratos pode acelerar. Isso tem impacto em estudos sobre TDAH: talvez quem tem menos dopamina perceba o tempo como mais lento, o que explicaria impulsividade ou dificuldade de esperar.

Alguns animais vão além da visão, sabem o que fazer em locais certos, na hora certa: abelhas, formigas, peixes e aves conseguem lembrar de onde e quando encontrar comida, mesmo sem sinais visuais. Isso mostra que há uma noção interna de tempo no cérebro deles, amarrada a memórias e hábitos.

E os humanos? Como percebemos o tempo?

Nós também sentimos o tempo de forma subjetiva. Um estudo com ratos mostrou que neurônios do córtex entorrinal criam “timestamps”, registrando sequência de eventos na memória, um jeito neural de cronometrar as experiências.

Ou seja: o tempo não é igual para todo mundo. Algumas espécies vivem num filme em câmera lenta, outras em câmera acelerada. E isso faz parte da sobrevivência.

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