Curiosidades

Os pássaros estão perdendo suas cores

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Em 3 de abril de 1860, o naturalista britânico Charles Darwin enviou uma carta ao botânico estadunidense Asa Gray, manifestando sua frustração diante da visão de caudas dos pavões. “A visão de uma pena na cauda de um pavão, toda vez que observo, me deixa doente!, escreveu sobre os pássaros.

Isso porque as caudas dos pavões contradiziam a teoria de Darwin sobre evolução por seleção natural, já que ao invés de aumentar a sobrevivência dos pássaros, parecia fazer o contrário.

Ele pensou sobre o caso por 11 anos, até propor uma solução para a aparente contradição em seu livro A Origem do Homem e a Seleção Natural. Sendo assim, de acordo com o britânico, a função das características vistosas não é de aumentar a sobrevivência dos indivíduos e sim de aumentar o sucesso reprodutivo.

Portanto, a presença de características chamativas, como é o caso das caudas dos pavões, é explicada não pela seleção natural e sim a seleção sexual.

Saúde e qualidade

Hoje, sabemos que as características ornamentais funcionam como sinais de qualidade, visto que informam sobre a condição física, saúde ou até a personalidade dos animais. Além disso, também sabemos que os ornamentos transmitem informações honestas, visto que não são de escolha do animal.

Isso faz com que os indivíduos de mais alta qualidade sejam mais capazes de produzir ornamentos atraentes. No entanto, apesar dessa teoria ter evoluído muito desde Darwin, ainda há muito o que entender.

Mudanças climáticas

A comunidade científica vem dando atenção aos efeitos das mudanças climáticas sobre a fauna e a flora ao redor do mundo. Desse modo, a maioria dos estudos se concentrou em entender os efeitos das mudanças climáticas no início da floração das plantas ou então na data da postura dos ovos das aves.

Porém, os efeitos das mudanças climáticas em características como as ornamentais exibidas em diversos animais quase não recebem atenção por parte dos pesquisadores. Isso resulta em seu desconhecimento.

Quando as condições ambientais são boas, como quando há muito alimento disponível, os ornamentos são relativamente mais baratos de produzir do que quando as condições estão ruins. Se a mudança climática continuar afetando as condições ambientais de forma negativa, os custos relativos à produção dos ornamentos podem aumentar.

Isso porque, como a energia disponível em cada indivíduo é limitada, o aumento dos custos dos sinais ornamentais pode limitar o investimento de energia em outras áreas, como a sobrevivência. Isso pode resultar em consequências negativas na manutenção da espécie em questão. Logo, para entender e prever os efeitos climáticos nas populações, precisamos primeiro estudar como afeta a expressão dos ornamentos.

Chapim-azul

ALEX GOTTSCHALK/DEFODI IMAGES VIA GETTY IMAGES

Um caso que serve de base é um estudo recente de cientistas do Centro de Ecologia Funcional e Evolutiva de Montepellier, na França, e da Universidade do País Basco, na Espanha. Eles analisaram os efeitos das mudanças climáticas na coloração ornamental do chapim-azul (Cyanistes caeruleus).

O chapim-azul é um pássro de pequeno porte, comum nas florestas europeias, que se caracteriza por ter uma coloração vibrante. Seu peito amarelo e coroa azul são as partes mais marcantes.

Assim, os chapim-azul receberam bastante atenção dos pesquisadores e sabemos que tanto suas coroas quanto seus peitos funcionam como sinais ornamentais. O estudo se concentrou em duas populações do pássaro do sul da França. Uma nas proximidades de Monpellier, e outra no noroeste da ilha de Córsega, com mais de 15 anos de estudo sobre elas.

Todos os anos, entre 2005 e 2019, capturam todos os chapim-azuis reprodutores de cada população. Por isso, conseguiram registrar mais de 5,8 mil medições sobre a coloração e demais características.

Pássaros menos coloridos

Os resultados do estudo mostraram que as duas populações tiveram penas menos vibrantes entre 2005 e 2019. Então, atualmente, os pássaros têm menos azul e amarelo em comparação com o início do estudo. Além disso, observaram que na Córsega, quando os verões são mais quentes e secos, os chapim-azuis apresentavam cores ainda menos vistosas.

Isso, com o aumento da temperatura e a diminuição das chuvas, sugere que a redução da coloração da população é em decorrências das mudanças climáticas.

Fonte: G1

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