Pando, o maior ser vivo do planeta, está morrendo aos poucos

Pando é o nome dado a uma enorme colônia vegetal localizada no centro-sul do estado de Utah, nos Estados Unidos. Nele, pode ser visto um conjunto geneticamente idêntico de álamos-trémulos.

Enquanto outras árvores dessa espécie se estendem por  uma área de menos de 4 mil metros quadrados, Pando supera e atinge cerca de 42 hectares, cerca de 420 mil metros quadrados, de terra, uma área equivalente a quase 60 campos de futebol.

No entanto, alguns cientistas estão percebendo que a colônia está morrendo gradativamente. Segundo uma pesquisa publicada no dia 8 de setembro na revista Conservation Science and Practice, Pando está em declínio por causa do número elevado de animais herbívoros se alimentando dele.

Paul Rogers, autor da pesquisa e diretor da organização Western Aspen Alliance, organização que promove ecossistemas sustentáveis de álamos, avaliou o Pando pela primeira vez há cerca de 5 anos. Na época, ele já havia destacado que o pastoreio de veados prejudicava o crescimento do organismo.

Era notado que conforme árvores mais velhas morriam, não restavam novos brotos de álamos, o que a longo prazo pode significar o fim de Pando. 

Além disso, o Pando também enfrenta problemas com os caules mais velhos. Eles são afetados por pelo menos três doenças: úlceras de fuligem na casca, manchas foliares e doença fúngica do carpo. 

Tamanho

Foto: Divulgação/ Universidade Estadual de Utah

O Pando tem peso estimado em 6 mil toneladas, três vezes mais pesado que a maior árvore individual do planeta, a sequoia gigante na Califórnia conhecida como General Sherman. Já em massa, ele equivale aproximadamente a 35 baleias azuis ou mil elefantes.

Além disso, cada tronco do Pando vive entre 85 e 130 anos e, à medida que uma árvore morre, outra brota. Mas esses brotos estão sendo devorados por veados e gados.

Os especialistas apontam que não é possível precisar a idade do Pando; alguns afirmam que ele tem 80 mil ou até mesmo um milhão de anos, mas Rogers aponta que os dois são improváveis. Para ele, a colônia é mais jovem que a última era glacial, há cerca de 12 mil anos.

Salvar Pando

Foto: Scott Catron/ WikiCommons/ Divulgação

Com a meta de defender o Pando de animais, uma cerca foi colocada em torno do ser vivo. No entanto, recentemente o organismo foi reavaliado e foi descoberto que apenas 16% dele continua cercado e protegido.

Conforme o álamo-trémulo diminui gradativamente e morre, várias espécies de animais dependentes dele, como algumas aves e frutos, acabam sendo prejudicadas junto, de acordo com o publicado pela Revista Galileu.

“Acho que, se tentarmos salvar o organismo apenas com cercas, nos veremos tentando criar algo como um zoológico na natureza”, critica Paul Rogers.

O especialista ainda afirmou que a sobrevivência de Pando depende de se resolver a questão do alto número de gado e cervos na região.

Também vale destacar que lobos e pumas costumavam manter a população desses animais sob controle. No entanto, agora eles andam em grupos cada vez maiores, devido à queda do número de predadores.

As partes do Pando não cercadas para pesquisa estão desenvolvendo um caminho ecológico diferente, com plantas subterrâneas diversas aparecendo, onde as árvores não crescem novamente. Rogers estima que isso é por causa da maior entrada de luz devido à falta de árvores adultas. 

De acordo com ele, dividir o Pando em áreas cercadas e abertas está “levando a floresta mais uniforme de sua espécie conhecida no mundo a uma nova direção”.

Além disso, por meio de comunicado, o pesquisador afirmou que a solução provavelmente não passa pela instalação de mais grades. Porém, aponta que é preciso uma tentativa de controle dos animais em pastejo. 

“Se tentarmos salvar o organismo apenas com cercas, nos encontraremos tentando criar algo como um zoológico na natureza”, afirmo Rogers.

Fonte: Aventuras na História, National Geographic

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