Em todos os veículos de comunicação, está sendo noticiado, com grande enfoque, o surto de coronavírus. Por ser um vírus mortal, as autoridades de todo mundo estão se mobilizando com a situação. As autoridades querem conter o surto e identificar toda a rota do coronavírus.

O avanço do surto do coronavírus já fez mais de 100 vítimas fatais e chegou a 17 países. E com esse avanço, várias dúvidas sobre ele têm sido levantadas. Desde a sua real gravidade, até coisas ligadas às preocupações com compras online.

As perguntas, feitas com mais frequência, foram reunidas em um compilado e foram respondidas de acordo com dados oficiais, divulgados pelo governo chinês e pela Organização Mundial da Saúde. Além de profissionais de saúde que foram consultados pela BBC Brasil e estudos publicados por cientistas no mundo todo. Mostramos aqui algumas dessas perguntas.

1 - O que é o vírus?

Os coronavírus são uma família grande de vírus, mas só era sabido que seis deles afetavam os humanos. Com esse novo vírus, agora são sete. Um desses causa a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) que, em 2002, matou 774 pessoas na China.

"Há uma memória forte da Sars, e é daí que vem muito medo, mas nós estamos muito mais preparados para lidar com esses tipos de doenças", afirmou Josie Golding, membro da Wellcome Trust, organização não governamental sediada no Reino Unido.

O novo vírus é chamado de 2019-nCoV. Isso é uma sigla, em inglês, para o ano em que ele surgiu. O "n" vem de novo e o "CoV" de coronavírus.

2 - A situação é grave?

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A princípio, a OMS tinha dito que o risco global era moderado. Mas ela foi bastante criticada e disse que errou na classificação e passou a classificar como risco elevado.

O risco é baseado na gravidade da doença, na velocidade em que ela é disseminada e na capacidade de combatê-la. Mas ainda não existem dados suficientes, para afirmar se a gravidade é parecida com a da Sars.

3 - Quem tem mais risco de contrair a doença?

De todos os casos, 25% são graves. De acordo com dados divulgados pela China, as primeiras 24 pessoas que morreram foram 16 homens e oito mulheres. Essas vítimas tinham, em média, 72 anos e faleceram depois de 11 dias internadas.

Dessas pessoas, nove já estavam com a saúde fragilizada, por conta de outras doenças. Mas, como os dados ainda são iniciais, eles não permitem que conclusões sejam tiradas sobre os grupos de risco.

Até agora, o sabido é que as pessoas, com uma saúde já prejudicada, especialmente por conta de problemas respiratórios, são mais vulneráveis. As pessoas muito jovens, ou muito velhas, também podem ser afetados com maior facilidade.

4 - Transmite por meio da tosse? A transmissão é rápida?

Geralmente, todos os vírus, que afetam o trato respiratório, são transmitidos por via aérea, ou então por contato com a mão, boca ou olhos. Pode ser transmitido respirando no mesmo ambiente em que uma pessoa infectada está, ou então tocando algo que a pessoa infectada tocou.

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Os casos registrados, até agora, foram transmitidos entre as pessoas, que tiveram um contato próprio com pessoas infectadas. É estimado que pelo menos cada pessoa infectada tenha passado a doença para, pelo menos, três pessoas.

5 - Como saber se alguém está doente?

Em um vírus como esse, são utilizadas amostras de secreção respiratória, que são levadas a um laboratório. Quando chegam lá, técnicas de detecção de material genético viral são usadas para identificar a presença de algum agente infeccioso.

"A capacidade de fazer testes é cada vez maior, porque há mais laboratórios e máquinas dedicadas a isso, e isso eleva o total de casos. Também aumenta porque a transmissão segue ocorrendo, e não há nenhuma evidência de que foi interrompida. Então, o número de casos vai crescer nos próximos dias, infelizmente", explicou Jarbas Barbosa, médico sanitarista e epidemiologista.

6 - O que o Brasil está fazendo com relação à doença?

Assim que o patamar de risco foi mudado pela OMS, o Ministério da Saúde decidiu os critérios para monitorar os possíveis casos. Desde o começo desse surto, foram mais de sete mil rumores de casos no Brasil.

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Anteriormente, o governo achava que só as pessoas que vinham da Província de Hubei, que é onde fica Wuhan, teriam o vírus. Agora, o país inteiro é considerado dentro da área de risco.

O governo disso que elevou a classificação de risco do país do nível 1  para o 2, que é perigo iminente. As autoridades trataram três casos como possíveis contaminações pelo vírus, mas nenhum foi confirmado.

"Não podemos ser alarmistas. Não é estranho que uma pessoa que veio da região onde o vírus está sendo transmitido esteja infectada. Mesmo que isso se confirme, acredito que haverá apenas casos esporádicos e que o vírus provavelmente não se disseminará", disse Marcos Boulos, infectologista professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

7 - Existe algum risco de importar coisas da China?

Os coronavírus, em geral, sobrevive pouco tempo no ambiente. Basicamente, por causa do envelope, que o torna vulnerável a um simples detergente. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, até agora, não existe nada que indique um risco associado à importação de produtos industrializados ou de origem animal.

"Em geral, por causa da baixa sobrevivência dos coronavírus em superfícies, há um risco muito baixo de disseminação por meio de produtos ou embalagens enviadas, ao longo de dias ou semanas, em temperatura ambiente", informou.

8 - Existe vacina ou remédio?

Até o momento, não. Vacinas, normalmente, precisam de quatro ou cinco anos para serem feitas. E também não existe um remédio para o coronavírus. O tratamento atual lida com os sintomas. E se o paciente não piorar, as pessoas infectadas se recuperam, em até uma semana.

Publicado em: 30/01/20 17h47