Ciência e Tecnologia

Pesquisadores encontram primeiro ninhal de dinossauros do Brasil

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Pesquisadores identificaram o primeiro ninhal de dinossauros do Brasil na região rural de Uberaba, em Minas Gerais. Assim, encontraram o lugar onde fêmeas imensas botavam seus ovos há cerca de 80 milhões de anos.

A descoberta foi feita numa mina de calcário desativada e os pesquisadores acreditam que os dinossauros possuíam pescoços longos e eram quadrúpedes. Dessa forma, já se identificou cerca de 20 ovos no local. Além disso, é possível que encontrem mais indícios de como era a reprodução dos herbívoros gigantes que chamamos de titanossauros.

Mais detalhes sobe a descoberta do ninhal de dinossauros foram publicados no periódico especial Scientific Reports. Quem assina o estudo são os paleontólogos Luiz Carlos Borges Ribeiro e Thiago Marinho, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Além deles, fazem parte da pesquisa os colegas Lucas Fiorelli e Agustín Martinelli, do Centro Regional de Pesquisas Científicas de La Rioja e do Museu Argentino de Ciências Naturais, e outros cientistas do Brasil e da Argentina.

“Quem sabe a gente não terá por aqui algo equivalente ao Auca Mahuevo?”, disse Borges Ribeiro à Folha sobre a descoberta. A população não especializada não conhece esse nome, mas é um assunto animado para os paleontólogos.

Auca Mahuevo abriga milhares de ovos de dinossauros

O local batizado como Auca Mahuevo fica na Patagônia argentina e abriga centenas de milhares de ovos de dinossauros, em especial, de titanossauros. Assim, esses dinossauros eram o mais importante elemento da fauna de herbívoros da América do Sul durante o período conhecido como Cretáceo, que é o último antes da extinção.

Dessa forma, o que é interessante para os paleontólogos é que alguns dos ovos de Auca Mahuevo foram preservados de tal maneira que é possível observar e estudar em detalhes a anatomia dos embriões de titanossauros.

Ovos em Uberaba

Reprodução

No entanto, a equipe que trabalhou no local de Uberaba em que a descoberta aconteceu não teve toda essa sorte. Isso até o momento atual, visto que é possível encontrar novidades no futuro.

Os ovos que estão sendo estudados, alguns ainda na configuração que parece ser a ninhada original, foram submetidos a exames de tomografia computadorizada. Por meio do resultado foi possível constatar que não há presença de filhotes dentro dos ovos, que teriam 80 milhões de anos.

Ainda assim, é possível aprofundar os estudos com o novo material coletado, como é o caso das estruturas, cujo formato é quase completamente esférico. O ovo mede 12 cm de diâmetro e chega a 900 cm³ de volume, que é quase 1 litro.

Pesquisadores afirmam que tanto o formato quanto o tamanho são compatíveis com os ovos de titanossauros que cientistas encontraram na Argentina e na Romênia.

Esqueletos fossilizados em Uberaba

Além dos ovos, pesquisadores encontraram uma grande quantidade de esqueletos fossilizados nos arredores de Uberaba e de outros locais de Minas Gerais. Logo, isso confirma que diversas espécies provavelmente frequentaram a região nos últimos milhões de anos do Cretáceo.

Por mais que os filhotes de dinossauros tenham um tamanho de algumas dezenas de centímetros ao nascer, os titanossauros da região podiam passar de 20 metros de comprimento, contando da ponta do focinho à ponta da cauda.

Assim, a posição dos ovos em análise indica pelo menos dois momentos de postura, separados por um tempo considerável. A ninhada maior e mais preservada está disposta de forma que sugere que as fêmeas depositavam os ovos em mais de uma camada, cavando buracos que parecem cuias para então recobrir com terra.

Além disso, é possível identificar o sistema de poros que se distribui na casca dos ovos de dinossauros, visto que o formato difere do que se observa em outros exemplos de ovos de titanossauros. Dessa forma, os poros são essenciais para a troca de gases, com o oxigênio, entre o ambiente externo e os embriões.

Pesquisadores sugerem que isso se desenvolveu dessa forma por conta do ambiente semiárido que predominava na região, que hoje é o interior de Minas Gerais.

Fonte: Folha de São Paulo

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