Plutão não tem cicatriz, mas sim sinal de supererupção, a nova visão da NASA

Um estudo recente, apresentado na conferência Progresso no Entendimento de Plutão: 10 anos após o “flyby”,  traz uma mudança surpreendente na interpretação da superfície de Plutão.

Antes considerada uma cratera de impacto, a cicatriz em Plutão pode, na verdade, ser uma caldeira de supervulcão – o que sugere que o planeta anão, ainda, pode ser geologicamente ativo. O estudo foi liderado por Al Emran, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL).

De cratera ao criovulcão: a nova hipótese

Até o momento, a depressão conhecida como Kiladze era entendida como o resultado de uma colisão com um corpo celeste.

Mas, imagens da sonda New Horizons revelaram que sua profundidade (quase 3 km) contradiz esse tipo de formação. Em tamanhos diferentes, estruturas desse tamanho normalmente não apresentariam essa profundidade em Plutão — portanto, essa característica reforça a hipótese de origem vulcânica.

Emran compara Kiladze a uma caldeira terrestre como a de Yellowstone:

A estrutura parece não ser apenas fruto de impacto — ela pode ter desabado após uma erupção gigantesca de criomagma” – afirmou o cientista durante sua apresentação

A presença de gelo, água e vestígios de amônia, nas imediações de Kiladze, dá pistas sobre a atividade recente. Isso porque a amônia diminui o ponto de congelamento da água, permitindo que o criomagma flua por mais tempo.

Infográfico mostrando o processo de formação da caldeira Kiladze. Crédito: Trista L. Thornberry-Ehrlich, Universidade Estadual do Colorado

Então, uma erupção pode ter ocorrido há menos de 3 milhões de anos, parece muito, mas em termos planetários é um tempo ínfimo.

Implicações para a geologia de Plutão

Essa descoberta, se confirmada, reescreve a compreensão geológica de Plutão. Ela indica que o interior do planeta anão retém calor suficiente para alimentar processos como o criovulcanismo, mesmo nos dias atuais.

Ou seja, Plutão pode ainda ser ativo — um dado que desafia a percepção de que seria apenas um corpo congelado no sistema solar externo

Enfim, o que se pensava ser apenas uma cicatriz se transformou em marca de uma gigantesca erupção criovulcânica. E essa pode ser a prova de que Plutão continua vivo.

Fonte: Olhar Digital

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