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Por que as aves albatrozes estão se divorciando?

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As aves são animais conhecidos por terem um parceiro por toda a vida. Os albatrozes de sobrancelhas negras são um exemplo disso, já que as aves marinhas gigantes podem viver até 70 anos e costumam ter só um parceiro. Eles passam a maior parte do ano sobrevoando sozinhos o mar aberto e costumam só voltar para terra para acasalar com seus parceiros e criar juntos o seu filhote, antes de retornar às viagens solitárias.

Os casais constroem confiança, comunicação e coordenação para criarem os seus filhotes juntos. Porém, se a dupla não conseguir criar um filhote com sucesso ou proteger o seu ovo, a fêmea considera a parceria um fracasso e eles acabam seguindo caminhos sozinhos.

Segundo Katherine J. Wu, em entrevista para o Atlantic, quando acasalam com o mesmo parceiro ano após anos, os albatrozes desenvolvem características para criar juntos seus filhotes.

De acordo com estudos, aproximadamente 15.500 casais de albatrozes vivem em New Island, nas Malvinas, no Oceano Atlântico Sul. Assim, com um conjunto de dados coletados ao longo de 15 anos, as taxas de divórcios entre os pássaros da ilha aumentam à medida que as temperaturas dos oceanos também sobem.

Ao longo dos anos, as taxas de divórcio de albatrozes oscilaram em uma média de 3,7%. Porém, quando as temperaturas do mar estavam em níveis altos, no ano de 2017, cerca de 7,7% dos casais de aves se divorciaram. A informação foi dada por Natasha Frost para o New York Times. As pesquisas ainda foram publicadas na revista Proceedings of the Royal Society.

O impacto do ecossistema nas aves

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Devido ao aumento da temperatura da água, a que está na superfície não se mistura bem com a debaixo. Para os albatrozes, isso significa menos  alimentos como peixes e lulas, com isso, buscar mais comidas gasta mais tempo e energia. Tess McClure explicou ao The Guardian que quando retornam à terra para acasalar, eles estão com problemas de saúde e menos propensos a conseguir se reproduzir com sucesso.

Porém, a equipe se surpreendeu ao notar que mesmo os casais que criaram filhotes com sucesso ainda se separaram. “As fêmeas bem-sucedidas anteriormente são as mais afetadas por este [aquecimento]”, afirmou o autor principal Francesco Ventura, biólogo da Universidade de Lisboa, a Jack Tamisiea à Scientific American. “Eles se divorciaram com mais frequência, quando em teoria deveriam ter permanecido juntos com o parceiro anterior.”

Além disso, por causa das longas viagens em busca de alimento, os albatrozes podem ter seus horários de reprodução mudados, o que fez com que chegassem atrasados para o acasalamento. Isso, junto aos hormônios do estresse elevados, podem ter efeitos negativos na reprodução.

“Níveis mais altos de hormônios do estresse nas fêmeas podem levá-las a interpretar erroneamente esse estresse mais alto como um mau desempenho do parceiro e, portanto, o divórcio”, contou Ventura ao Morning Edition da NPR.

Mesmo que a população de albatrozes em New Island seja grande, as mudanças climáticas que provocam o aumento no nível do mar, e dos divórcios, podem afetar essas aves.

“Se você tem uma situação em que o aumento da temperatura da superfície do mar está levando a taxas mais altas de divórcio, isso reduz o sucesso reprodutivo para a população como um todo”, explicou Natasha Gillies, ecologista comportamental, que não participou do estudo. “Em última análise, você está enviando menos albatrozes para o mundo, e isso afetará a população de forma mais ampla.”

Fonte: Hypeness

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