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Por que está acontecendo tantos ataques de elefantes?

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Recentemente, foi noticiado que, na Índia, um elefante pisoteou uma idosa, o que provocou a sua morte. O animal ainda voltou horas depois para atacar o cadáver da senhora enquanto era velado. Em seguida, ele foi até a vila em que a mulher vivia, matou as suas cabras e destruiu a sua residência.

Muitas pessoas estimam que esse seja um caso isolado, mas ataques como este têm se tornado cada vez mais comuns em Odisha. O principal motivo é a atividade industrial intensiva no estado e o aumento da presença humana em habitats de animais. Isso fez aumentar as chances de encontros entre aldeões e elefantes.

O estado também registrou um aumento no número de mortes não naturais de elefantes. Segundo a agência de notícias IANS, desde 2000, pelo menos 1.356 elefantes morreram em Odisha. Apenas entre os meses de abril e outubro de 2021, ao menos 42 mortes de elefantes foram registradas no estado.

O problema também está ocorrendo em outras partes da Índia. Por exemplo, no distrito de Bilaspur, no estado de Chhattisgarh, uma mulher foi morta em um ataque de um elefante selvagem em uma floresta. No mesmo ataque, seu neto de oito anos ficou ferido ao tentar fugir, de acordo com relato da polícia local.

Já em maio, uma mulher de 40 anos foi pisoteada até a morte por um elefante. Ela estava do lado de fora de sua casa, nas proximidades de Gudalur, no distrito de Nilgiris, no sul do estado de Tamil Nadu.

A memória

Foto: Getty Images


Conforme repercutido há 16 anos, a New Scientist publicou um artigo afirmando que os elefantes estariam atacando vilarejos humanos como uma forma de revolta e vingança pelos abusos que sofriam.

A publicação cita Uganda como exemplo. No local, havia bastante comida para poucos elefantes, ainda assim, eles insistiam em invadir as aldeias e bloquear as estradas, provocando diversos danos. A explicação dos cientistas remetia a décadas atrás: entre os anos de 1970 e 1980.

Naquele período, muitos elefantes da região foram caçados. Por causa disso, esses animais ficaram estressados e traumatizados. Além disso, muitos deles testemunharam a morte de familiares ou até ficaram órfãos.

Com a morte das matriarcas experientes, elefantas mais novas e sem muita experiência acabaram tendo que se tornar responsáveis por seus grupos. Como consequência, as novas gerações de elefantes não receberam todo o conhecimento e cuidado que necessitavam.

Vale lembrar que os elefantes são criaturas muito sociais e extremamente próximas de suas famílias. As elefantas, por exemplo, costumam ficar juntas durante toda a vida. 

Além disso, como esses animais são muito inteligentes, o que acontece com eles permanece com eles por toda a vida. Por causa disso, surgiu o ditado de que os elefantes nunca se esquecem.

Devido a essa proximidade familiar e a capacidade de compreensão desses animais, qualquer dor, morte ou separação é devastadora para os elefantes. Com isso, em um momento ou outro eles podem querer encontrar vingança.

O drama e a raiva dos elefantes

Foto: Baz Ratner/Reuters

Nos últimos anos, aumentaram de forma significativa os ataques de elefantes a humanos, tanto na África quanto na Índia, ou até mesmo na Tailândia.

Além dos traumas desencadeadores da raiva vingativa, de acordo com artigo da New Scientist, os cientistas também reconhecem outro problema. Mesmo que já se tenha conhecimento de que algo precisa ser feito para proteger esses animais, diversas populações continuam desestabilizando a estrutura social dos elefantes. Isso abre caminho para os ataques que estão acontecendo.

Por exemplo, na Índia, você pode encontrar facilmente templos onde as mulheres vão para ser abençoadas por elefantes que colocam suas trombas sobre suas cabeças. Também não é difícil encontrar elefantes retirados de suas famílias para ficarem do lado de fora de cerimônias de casamento, ou para levar prefeitos em desfiles pelas ruas.

Muitas vezes, esses animais também são provocados nas selvas para que os turistas consigam tirar uma boa foto. Isso sem contar o problema da caça.

Fonte: Mega Curioso

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