Mundo Animal

Cientistas desejam criar tabela periódica da inteligência animal

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Muitas pessoas já estão familiarizadas com as habilidades cognitivas dos cachorros, que podem compreender emoções humanas. Mas diversos outros animais surpreenderam os cientistas com sua inteligência.

Por exemplo, os chimpanzés esculpem suas próprias ferramentas em pedra. Já as abelhas podem distinguir entre números pares e ímpares, enquanto as baleias possuem um sistema complexo de comunicação semelhante a um código morse. Além disso, os golfinhos usam assobios específicos comparáveis aos nomes humanos.

Os corvos não ficam para trás e possuem a capacidade de fazer planos para o futuro, conseguem imitar palavras, se lembram de rostos humanos e até usam pequenas ferramentas. Pesquisadores apontam que o cérebro avantajado é sinal de maior complexidade cognitiva, e está positivamente relacionado com a flexibilização de comportamento, memória e aprendizado.

Essas diversas habilidades no mundo animal levantam uma série de questões para os cientistas. Entre elas estão questões como o que realmente é a inteligência, como ela evoluiu entre as espécies e como diversas categorias de inteligência se comparam. 

Para entender mais sobre o assunto, um grupo de cientistas pretende criar uma tabela periódica de inteligência animal, bastante similar àquela utilizada para categorizar os elementos químicos. 

Como pretendem medir a inteligência dos animais? 

Foto: Vincent J. Musi/ Nat Geo Image Collection


Em entrevista ao Superinteressante, Andrew Barron, pesquisador da Macquarie University (Austrália), explicou que o grupo de cientistas pretende medir a inteligência dos animais de várias maneiras.

Primeiramente, o pesquisador aponta que é preciso reconhecer que a inteligência é realmente multidimensional. “O aprendizado é importante, assim como a velocidade de aprendizado, a memória, o raciocínio, a abstração, a representação.”

Barron explica que estão sendo desenvolvidos testes para avaliar essas questões em espécies diferentes. O pesquisador citou como exemplo que pode ser testado memória de trabalho [de curto prazo] em animais estabelecendo uma tarefa em que lhes é mostrada uma imagem e, para obter recompensa em comida, eles precisam escolher a mesma imagem dentro de um conjunto apresentado mais tarde.

“Podemos testar por quanto tempo eles conseguem memorizar uma imagem. Não esperamos obter uma única medida de inteligência, mas um quadro dos tipos de inteligência que diferentes animais têm.”

Comparação e classificação das espécies

Foto: Vincent J. Musi/ Nat Geo Image Collection

Ao ser questionado sobre como será feita a comparação e classificação das espécies, Barron admitiu que essa é uma tarefa difícil.

“Imagine aplicar um teste, como esse que eu descrevi, em várias espécies. Se elas tiverem desempenho diferente, como você pode ter certeza de que a razão é uma diferença de inteligência – e não na motivação do bicho com aquela tarefa, ou na capacidade que ele tem de se mover rápido ou enxergar bem, por exemplo? Acho impossível planejar um teste que funcione da mesma maneira para todas as espécies.”

Em seguida, o pesquisador explicou que a ideia do grupo é criar variações dos mesmos testes. No entanto, ele afirma que isso demanda muito estudo, já que é necessário explorar o que cada espécie pode perceber bem e o que é uma recompensa para cada uma.

Qual benefício essa tabela periódica da inteligência poderia trazer?

Foto: Vincent J. Musi/ Nat Geo Image Collection

Durante a entrevista à Super Interessante, Barron afirmou que a resposta para a pergunta “será que determinado animal é inteligente?” não é um simples “sim” ou “não”. O pesquisador explica que a inteligência é um conceito complexo, e os animais se diferem na forma como expressam isso. 

“Mas, hoje, não somos muito bons em compreender ou descrever essa complexidade. Então, algo como uma tabela periódica, que organize a inteligência animal de forma multidimensional, seria um grande passo à frente.”

O pesquisador afirmou que o funcionamento do modelo em que ele está apostando depende da existência de tipos discretos de inteligência animal. “Nosso trabalho é procurar esses tipos e, se encontrarmos, entender por que existem.” 

Fonte: Superinteressante

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