
O canibalismo, o ato de comer indivíduos da mesma espécie, nos aterroriza há séculos. Mesmo assim, a curiosidade insiste em cutucar: qual seria o gosto da carne humana? Tecnicamente, somos animais de carne vermelha, e os relatos históricos variam bastante na descrição: há quem compare a porco, com textura de boi; outros falam em atum cru ou até peru assado. Estranho? Bastante. Mas dá para entender de onde veio essa colcha de retalhos de depoimentos.
Importante: nos Estados Unidos, o canibalismo em si não é tipificado em âmbito federal, mas qualquer meio de obtê-lo é ilegal (homicídio, profanação de cadáver, compra ilícita de tecidos etc.). Ou seja, não há brecha moral nem legal nessa história, estamos falando aqui de relatos documentados e de crimes, ponto.

Na cultura pop, o canibal mais famoso é Hannibal Lecter. O personagem surgiu no livro Dragão Vermelho (1981) e explodiu com O Silêncio dos Inocentes, imortalizado por Anthony Hopkins no cinema. Desde então, muita gente passou a se perguntar se a carne humana teria, no mundo real, aquele “sabor sofisticado” sugerido na ficção. A resposta curta? Nada de glamour. O que existe são relatos crus, muitas vezes contraditórios e, quase sempre, horripilantes.
Nos anos 1920, o jornalista e viajante William Seabrook publicou Jungle Ways dizendo ter comido carne humana ao visitar uma tribo canibal na África Ocidental. Depois, admitiu que não participou de ritual nenhum: a tal tribo não o deixou sequer chegar perto disso. O “experimento”, segundo confessou, aconteceu em Paris, quando um amigo de necrotério lhe forneceu um pedaço de tecido humano. Ele cozinhou e degustou. O veredito?
Em resumo: Seabrook ancorou a ideia de que carne humana se aproximaria de vitela (a carne de bezerro), com maciez razoável e sabor pouco pronunciado.

O alemão Armin Meiwes ficou mundialmente conhecido por ter assassinado e devorado um homem que, chocantemente, se ofereceu para isso. Preso e julgado, Meiwes relatou que comeu cerca de 40 quilos da vítima. Sobre o gosto, disse:
Ele ainda falou sobre a sensação de “conexão” ao comer a vítima, um aspecto psicológico que não tem nada a ver com gastronomia e tudo a ver com o caráter criminógeno e perturbador do caso.
Em 1981, em Paris, o japonês Issei Sagawa assassinou e canibalizou uma estudante. Livre anos depois por questões legais e de saúde, ele descreveu “cortes preferidos”:
Notou a comparação com atum cru? Ela aparece em outros depoimentos e ajuda a montar o mosaico de sabores relatados: porco, vitela, atum. Ou seja, não existe consenso.
Casos antigos de serial killers europeus relatam que alguns criminosos comercializavam carne humana como se fosse carne suína, nomes como Karl Denke, Fritz Haarmann e Karl Grossmann aparecem em reportagens e arquivos policiais. Grossmann, em especial, ficou associado à venda de cachorros-quentes com carne clandestina. O objetivo, claro, era enganar fregueses e ocultar crimes, não “divulgar sabor”.
Em 1991, a modelo egípcia Omaima Nelson matou o marido, que ela descreveu como abusivo, e admitiu ter consumido partes do corpo. Relatou que as costelas eram “doces” e que usou molho barbecue. A mistura de adjetivo sensorial (“doce”) com condimento deixa claro outro ponto: tempero e modo de preparo distorcem qualquer comparação direta entre carnes.
Juntando as peças dos depoimentos:
Mas atenção: esses relatos são antiéticos e provenientes de crimes, não de estudos controlados (e nem poderiam ser). Eles dizem mais sobre contextos extremos do que sobre “gastronomia”. Em outras palavras: tentar cravar um “sabor oficial” é impossível e, francamente, sem sentido.
Fonte: Mega Curioso


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