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Radiação espacial não parece ser a causa de câncer em astronautas, entenda

POR Cristyele Oliveira    EM Ciência e Tecnologia      09/07/19 às 15h30

Não é novidade para ninguém que o espaço pode ser um ambiente bastante hostil. Expostos ao ambiente exterior, os astronautas podem experimentar altos níveis de radiação. E como já sabemos, a radiação pode aumentar as taxas de câncer e doenças cardíacas em seres humanos terrestres. Por muito tempo, se pensou que essa exposição à radiação espacial pudesse estar relacionada com as taxas de câncer em astronautas. Mas um novo estudo sugere que talvez essa não seja a causa.

Os resultados da nova pesquisa mostraram que a radiação espacial não parece aumentar o risco de morte por câncer ou doença cardíaca dos astronautas. Pelo menos, não nos curtos períodos experimentados durante as missões já realizadas no espaço. Talvez, essa realidade possa mudar, caso a exposição seja mais longa. Os autores do novo estudo pontuam que em missões mais longas podem vir com maiores doses de radiação. Algo como uma missão à Marte, por exemplo. Talvez, nesse caso, os riscos poderiam ser maiores à saúde dos astronautas.

A radiação

Em uma viagem espacial, um astronauta é exposto a altos níveis de radiação ionizante. Níveis muito maiores do que os experimentados normalmente na Terra. Em grandes doses, essa radiação pode estar ligada não só ao câncer, como também a diversas doenças cardíacas. Além de haver vínculo com uma série de outros problemas de saúde. Mas até então, essa é apenas uma hipótese.

Outros estudos prévios também não encontraram uma relação entre viagens ao espaço e um aumento considerável no risco de morte por câncer ou doenças cardíacas. Porém, como relativamente foram poucas pessoas que viajaram ao espaço até hoje, esses estudos podem ter sido limitados por isso. E talvez, por esse motivo, não tenham sido capazes de detectar tal ligação, conforme afirmam os autores do recente estudo.

O estudo

O novo estudo analisou dados de 418 astronautas que já foram ao espaço. Desses, 301 são da NASA, e já foram ao espaço ao menos uma vez desde 1959. E 117 são cosmonautas russos ou soviéticos, que viajaram ao espaço pelo menos uma vez desde 1961. Todos os participantes foram analisados por cerca de 25 anos.

Nesse período, 89 dos participantes do estudo morreram. Entre os 53 astronautas da NASA que morreram, 30% tiveram como causa o câncer e 15%, as doenças cardíacas. Já entres os 36 astronautas soviéticos ou russos que morreram, 50% deles faleceram por conta de doenças cardíacas e 28% morreram de câncer.

Para identificar se as mortes por câncer e doenças cardíacas, entre os astronautas, tinham uma causa em comum, no caso, a radiação espacial, os pesquisadores usaram a técnica de estatística. Eles combinaram os dados entre si. Contudo, os resultados não mostraram uma causa comum entre as mortes.

"Se a radiação ionizante está afetando o risco de morte devido ao câncer e doenças cardiovasculares, o efeito não é dramático", escreveram os autores em seu estudo publicado na revista Scientific Reports.

No entanto, esse estudo não é capaz de dizer se missões mais longas representariam riscos diferentes.

"É importante notar que futuras missões de exploração do espaço profundo, provavelmente, oferecerão doses muito maiores de radiação espacial do que doses históricas. O que levará a um perfil de risco diferente para futuros astronautas e cosmonautas", disseram os autores. Estudos futuros devem continuar a vigiar os astronautas "por potenciais efeitos nocivos da exposição à radiação espacial", concluíram.

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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