Com a atual pandemia de Covid-19, o mundo está buscando se adaptar, dentro da medida do possível, ao que era antes. Dessa forma, já acostumamos com muitas coisas, mas, a verdade é que nada é a mesma coisa. Dito isso, como uma forma de resolver um dos assuntos mais polêmicos da atualidade, a volta das às aulas, podemos encontrar uma possível solução no passado. Assim, salas de aula podem voltar a funcionar ao ar livre na pandemia ao invés de serem online.

No final do século XIX, a tuberculose era um mal devastador e que atingia um em cada sete cidadãos da Europa e dos Estados Unidos. Com isso, ainda sem uma vacina, uma solução foi adotada no mundo inteiro: espaços abertos como salas de aula. Nesse caso, as lousas e carteira eram portáteis. Além disso, jardins eram utilizados para aulas de ciências, arte ou geografia. Mas, será que esse modelo funcionaria hoje?

Qual foi o resultado da experiência no final do século XIX?

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De maneira oficial, as "escolas ao ar livre" surgiram na Alemanha e na Bélgica no ano de 1904. Depois disso, o formato chegou aos Estados Unidos, em 1907. Na época, a iniciativa foi um verdadeiro sucesso, uma vez que nenhuma criança adoeceu.

Enquanto isso, no Brasil, temos pouco relatos do tema. Mas, existem algumas informações do formato foi utilizado em estados como Rio de Janeiro e Amazonas durante a década de 1920. "A tuberculose era uma grande preocupação, junto com outras doenças infantis, como anemia e desnutrição. No geral, as escolas atendiam crianças de famílias pobres, o que evidencia uma ideia higienista: se pensava no corpo delas como mais enfermo", afirma André Dalben, pesquisador do tema.

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Em território nacional, uma das experiências mais duradouras foi a Escola de Aplicação ao Ar Livre (EAAL). Funcionado no Parque da Água Branca, localizado zona oeste de São Paulo, a escola se manteve entre 1939 e 1950. Ao todo, a escola chegou a ter 350 alunos simultaneamente e lecionava principalmente para alunos de classe média que moravam próximo ao local. Para se ter uma ideia, a escola contava com até fila de espera para entrar. "Mas não sei como era o dia a dia na escola. Fui procurado por alguns ex-alunos, hoje na casa dos 80 anos, que contaram que tiveram professoras bem rígidas. Então talvez na prática ela não fosse tão diferente assim das outras", afirma Dalben.

Essas escolas também foram utilizadas nos grandes conflitos do mundo

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Depois da tuberculose, o modelo de escolas também ganhou popularidade nas guerras mundiais. "Havia uma discussão de educadores contra a experiência da escola do passado, pensando-se em uma que fosse mais amigável, promovesse a defesa da democracia, para criar uma geração mais pacífica e solidária", afirma o pesquisador.

Atualmente, a maior questão é se é realmente seguro ter aulas ao ar livre. Pelo que sabemos, a proliferação do novo coronavírus é muito menor em espaços abertos. No entanto, será que todas as cidades possuem essa estrutura para abrigar as aulas? "Podemos pensar as escolas junto às cidades como um todo, com mais uso de parques e espaços públicos. Não vamos seguir as mesmas linhas da escola ao ar livre do passado, mas vamos reinterpretá-las", afirma Dalben, que é um dos muitos que buscam novas estratégias para o ensino nos tempos de pandemia.

Publicado em: 22/09/20 11h19