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Sem explicação: variação de temperatura em Netuno intriga cientistas

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Aqui na Terra, mais especificamente no Brasil, costumamos estranhar quando o dia começa com sol quente e termina com um vento frio. No entanto, se estivéssemos em Netuno, teríamos que nos acostumar com essas variações.

Afinal, telescópios do Observatório Europeu do Sul analisaram a radiação infravermelha do planeta, a fim de averiguar as mudanças de temperatura nos últimos 17 anos. Assim, fizeram uma descoberta chocante. Enquanto a temperatura global sofreu uma queda brusca, o polo sul do gigante gelado se aqueceu de forma inexplicável.

Fonte: NASA

O gigante gelado

A princípio, Netuno é o planeta mais distante do Sol. Logo, por ficar tão longe dessa fonte de radiação infravermelha, suas temperaturas atingem a casa dos -220º C.

Além disso, ele é o quatro maior planeta do sistema solar, e faz parte do grupo dos planetas gasosos, juntamente com Júpiter, Saturno e Urano. Em suma, os gases que compõem Netuno são o hidrogênio, o hélio e o metano. A propósito, este último fluido é responsável pela coloração azulada do planeta.

Por estar tão longe do Sol, a volta deste planeta ao redor do astro é a mais demorada do sistema solar. Sendo assim, um ano em Netuno equivalem a 164 anos aqui na Terra, e isso impacta diretamente nas estações do gigante gelado.

Variações inexplicáveis

Por lá, os períodos climáticos duram 40 anos. Nos dias atuais, o planeta vive um Verão em seu polo Sul, iniciado em 2005. Nesse sentido, os pesquisadores utilizaram o Very Large Telescope (VLT), a fim de avaliar as mudanças de temperatura do início da estação até os dias atuais.

Feito isso, os cientistas descobriram uma impactante fuga das expectativas. A princípio, eles esperavam um aumento gradual da temperatura do polo Sul de Netuno. Isso porque esse hemisfério ainda não chegou na metade de seu Verão.

Todavia, o que os dados infravermelhos demonstraram foi um aquecimento muito rápido dessa região entre 2018 e 2020. Nessa janela, a temperatura média subiu 11º C. Tal esquentamento nunca foi observado na região polar do planeta, porém, existe outro fato que coloca ainda mais mistério nessa história.

Enquanto o polo Sul se aqueceu de forma veloz, o resto do planeta se esfriou gradualmente. Afinal, entre 2003 e 2018, Netuno viu sua temperatura média cair 8º C. Portanto, ninguém sabe explicar ao certo a razão deste descompasso, mas como sempre, já existem teorias.

A primeira delas diz que podem ter ocorrido mudanças na estrutura química da estratosfera, também conhecida como atmosfera superior. Outra tese é que o ciclo solar possa estar influenciando nesse comportamento climático atípico.

Novas observações

Apesar das especulações, o que se sabe é que a esperança por respostas definitivas está no lançamento do Telescópio Espacial James Webb. A expectativa é que este instrumento seja ainda mais eficaz que o Hubble na observação cósmica. Segundo os cientistas envolvidos em sua construção, o novo observador vai poder analisar dentro das atmosferas de planetas fora do sistema solar.

Além disso, o James Webb se destaca por ser sensível na captura de imagem. Durante os testes, ele conseguiu expor galáxias atrás de estrelas muito brilhantes. Ou seja, a engenhoca driblou um possível ofuscamento ocasionado pelos astros.

Fonte: NASA

Em março, o equipamento com mais de 20 anos de construção passou pelos testes ópticos. Agora, ele está no processo de calibragem final de suas estruturas. Uma vez em funcionamento, não só novas galáxias poderão ser analisadas como também a mudança climática de Netuno virá a ter seus detalhes melhor expostos.

Enquanto isso, Netuno prossegue sua caminhada com o Verão em seu polo Sul. Antes, os astrônomos conseguiam ter indícios de como seria o comportamento da região neste momento climático. Porém, os últimos 17 anos mostraram que o gigante gelado pode ser mais imprevisível do que parece.

Fonte: Canal Tech, Brasil Escola.

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