Síndrome de Kessler, um desastre espacial que preocupa grandes países
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Síndrome de Kessler, um desastre espacial que preocupa grandes países

Nos últimos seis meses, as agências espaciais de, pelo menos, quatro países deixaram claro que têm planos ambiciosos. Já não é novidade que os Estados Unidos, Rússia, Índia e China gostam de investir em viagens para Marte, Lua, Saturno e/ou Júpiter. No entanto, o espaço, hoje, atrai essas potências a investirem em um novo setor: o militar.

O desenvolvimento de armas e tecnologias militares tornaram-se um novo objetivo para esses países. As grandes potências mundiais estão desenvolvendo armas, projetadas para desativar ou eliminar satélites. Tendo como objetivo fins militares estratégicos. As agências espaciais estão em alerta desde o início do ano. Principalmente por conta das frequentes colisões entre satélites, que vêm ocorrendo na órbita terrestre.

De acordo com a Agência Espacial Europeia, nos últimos 15 anos, cerca de dois terços dos satélites, lançados para operar em órbita geoestacionária, estão, hoje, na chamada órbita cemitério. O local encontra-se a 300 quilômetros acima de onde já haviam operado. Em contrapartida, acima de 400 quilômetros da órbita cemitério, ainda ativos, estão 1,5 mil objetos de grandes proporções. Entre eles, satélites desativados e diversos fragmentos de lixo espacial.

Para a Agência Espacial Russa, a Roscosmos, a quantidade de lixo, que circula na órbita baixa da Terra, é preocupante. De acordo com o diretor do Instituto de Astronomia da Academia Russa de Ciências, Boris Shustov, a quantidade de detritos espaciais pode atingir o limiar da síndrome de Kessler. Mas, afinal, o que é a síndrome de Kessler?

A síndrome de Kessler

A síndrome de Kessler é uma teoria que envolve o volume de detritos espaciais na órbita baixa da Terra. Elaborada na década de 1970, pelo consultor da NASA, Donald J. Kessler, a teoria explica que objetos, como satélites, começariam a se chocar com o lixo o lixo espacial. E é exatamente por isso, que a agência russa está preocupada. À medida que o número de satélites em órbita cresce, e os satélites desativados se acumulam, aumenta-se também o risco de colisões.

Atualmente, milhares de satélites operam na órbita baixa da Terra, a menos de 2 mil quilômetros do planeta. As consequências são extremamente significativas. Caso o previsto ocorra, haverá simultaneamente impossibilidades de voos espaciais, interrupção nas comunicações globais e, por fim, enfraquecimento da inteligência militar.

Para o diretor da Roscosmos, Dmitri Rogozin, se as coisas continuarem nesse ritmo, todos começarão a disparar e destruir seus satélites, e log, esses fragmentos poderão destruir a Estação Espacial Internacional. Dessa maneira, as coisas não podem continuar”.

O aviso de Rogozin não é novidade. Dois meses atrás, a Rússia alertou que, após o teste conduzido pela Índia em março, conhecido como Missão Shakti, a probabilidade de um impacto espacial de lixo, contra a Estação Espacial Internacional (ISS), aumentou em 5%. A missão da Índia foi criticada pela NASA e causou uma discussão global sobre a política espacial. Isso porque, durante o teste, um satélite foi destruído a 300 km da Terra.

A Roscosmos informou que deseja propor às potências espaciais a possibilidade de considerarem a proibição de testes de armas anti satélite. O objetivo é não agravar ainda mais o problema em relação ao acúmulo de lixo espacial, que pode ser um dos resultados de todo esse panorama.