
Na maior parte do ano, a árvore de 40 frutas se parece com qualquer outra árvore comum. No entanto, quando a primavera chega, é possível ver dezenas de tons de rosa, vermelho e branco começar a salpicar a planta. Até o final do verão, cada ponto colorido produziu mais de 40 tipos de frutos.
Pode parecer impossível, mas não é. Essas árvores são uma criação do artista contemporâneo premiado e professor de arte na Universidade de Syracuse, Sam Van Aken. Em entrevista ao Epicurious.com, ele disse que “antes de tudo, vejo a árvore como uma obra de arte.” Mas isso não significa que uma obra de arte viva não seja interessante para a história da agricultura também.
“À medida que o projeto evoluiu, assumiu mais objetivos”, disse Van Aken. “Ao tentar encontrar diferentes variedades de frutas de caroço para criar a Árvore das 40 Frutas, percebi que por vários motivos, incluindo a industrialização e a criação de enormes monoculturas, estamos perdendo diversidade na produção de alimentos e que variedades herdadas, antigas e nativas que eram menos viáveis comercialmente estavam desaparecendo.”
Embora cada árvore tenha cerca de 40 espécies de diferentes frutos, como pêssegos, ameixas, damasco e amêndoas, que Van Aken escolheu para o projeto por conta da diversidade e compatibilidade, ele trabalha com mais de 250 variedades. Portanto, o pesquisador planeja a linha do tempo de cada uma e seleciona espécies para criar uma obra de arte a partir de diferentes flores.
Assim, o enxerto de todas essas espécies levou cerca de cinco anos e Van Aken visita as árvores, que podem ser vistas em museus, centros comunitários e coleções privadas de arte de Massachusetts à Califórnia, duas vezes por ano para podá-las. Vale destacar que todas as frutas são comestíveis.

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Eileen Migoni, uma jornalista visual que trabalha com a National Geographic e cobriu a história da árvore de 4o frutos, comentou que um dos maiores desafios de Van Aken quando ele decidiu iniciar o projeto era achar 40 variedades de frutas com caroço. “Ele percebeu a monocultura vigente”.
Dessa forma, ela se interessou cada vez mais pelo assunto da decrescente variedade de espécies enquanto empresas comerciais grandes optam pelas espécies mais rápidas, persistentes e fáceis de transportar.
“O estado de Nova York, aparentemente, foi a capital da ameixa nos anos 20. Eles não estão cultivando ameixas lá agora em uma extensão tão grande e não estão cultivando as variedades que cultivavam”, disse Migoni.
Assim sendo, Van Aken estava com um desafio nas mãos ao tentar achar as variedades para que ele pudesse fazer o enxerto numa única base. Parece ser um projeto de Frankenstein na agricultura, mas o enxerto é uma parte normal da prática. De acordo com The Farmer’s Almanac, “a maioria das boas árvores [de ameixa] vem do enxerto de um produtor conhecido em um novo porta-enxerto.”
Migoni afirma que reintroduzir as pessoas para a ideia de enxerto é uma de suas partes preferidas do projeto. Ela explica que no caso das ameixas, por exemplo: “há muita variabilidade genética na semente, então se você plantar uma semente de ameixa, você não pode garantir que obterá o fruto que deseja da semente, a menos que enxerte a variedade específica”.
Porém, Migoni conta que o artista não teve a intenção de levar atenção para o assunto da monocultura. Assim, agora ele se sente responsável por propagar a diversidade de todos os tipos de plantas, assim como árvores. “Como ele teve todas essas coleções e foi informado por outros produtores que ele pode ser o único produtor que as tem, ele sente que não pode deixá-las morrer. Então, ele quer criar bosques com todas essas variedades diferentes que o público possa provar e levar para casa. Os produtores também podem experimentá-los e ver se querem expandir suas linhas”.
Fonte: Mental Floss





