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10 imagens fortes que mostram a realidade de trabalhar no Japão

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O Japão possui atualmente a terceira maior economia do mundo, segundo o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI). Essa é a nação que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, à tragédia de Hiroshima e Nagasaki, à destruição de sua infraestrutura e escassez de suprimentos, à dívidas de guerra e humilhações impostas pelos “Aliados”. No entanto, essa também é uma nação reconhecida pela extrema dedicação e capacidade de sobrevivência. Eles superaram seus obstáculos, e em pouco tempo, o país deu um salto em direção ao desenvolvimento industrial, tornando-se uma das economias mais prósperas e complexas do mundo.

De longe, o povo japonês é visto pelo olhar estrangeiro como uma nação pacífica, perfeccionista e rica, onde parece não haver espaço para pobreza. Mas será que é assim mesmo? Debaixo do tapete, o Japão esconde as desigualdades sociais, o excesso de trabalho e salários baixos, como qualquer outro país.

Há um ditado que explica a realidade japonesa: “ichioku-sohchu-ryu” que significa “uma nação de classe média”. Apesar da recuperação econômica e o boom industrial do país, logo após o conflito mundial, de fato, grande parte da população alcançou um padrão de vida mais satisfatório. No entanto, a bolha econômica da década de 80 e a crise motivada pela dependência do petróleo, trouxe novamente o fantasma do desemprego e da insegurança japonesa que perdura até os dias atuais.

Dados de pesquisas revelam uma realidade nada brilhante: uma a cada seis pessoas vivem abaixo da linha da pobreza no Japão. No total, são 21 milhões de pessoas vivendo na pobreza. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar realizou em julho de 2017, o último levantamento sobre as condições de vida da população. Segundo esse relatório, cerca 16,1% dos japoneses vivem uma renda abaixo da média nacional. Se você for jovem, mulher, imigrante ou aposentado os números tendem a decrescer ainda mais.

Conheça um pouco da realidade de se trabalhar no Japão, através dessas imagens impactantes que revelam o que é viver e “vencer” na terra do sol nascente.

1 – Carga horária

Como na maioria dos países, a lei trabalhista japonesa institui uma carga horária de 8 horas por dia ou 40 horas semanais. O trabalho é pago por hora e as pessoas tem direito a pelo menos um dia de descanso por semana. Os funcionários podem escolher realizar até 45 horas extras por mês, e por esse adicional, eles podem receber de 25 a 50% a mais que o salário padrão. Esse comportamento criou uma cultura japonesa de se trabalhar além do limite saudável.

Segundo matéria publicada pela BBC, Matusi Takahashi, uma funcionária de uma agência de publicidade japonesa cometeu suicídio com apenas 24 anos. Ela havia acumulado mais de 100 horas extras nos meses anteriores ao seu falecimento. A informação divulgada como motivação da morte foi a privação de sono da jovem.

Makoto Iwahashi, funcionário da Posse, uma organização que presta serviços psicológicos por telefone, diz que grande parte dos telefonemas recebidos são reclamações quanto as longas jornadas de trabalho.

“Ou você pede demissão ou trabalha 100 horas. E se você pede demissão, você não consegue viver”, explica Makoto à BBC. “É triste, porque esses jovens profissionais acham que não tem alternativa”.

2 – Transporte

O Japão é formado por um arquipélago de centenas de ilhas. O território japonês possui uma área de 377.899 km² que abriga cerca 128 milhões de pessoas. A densidade demográfica é de 336,8 habitantes por quilômetro quadrado. Apenas em Tokyo vivem mais de 9 milhões de pessoas. O transporte público japonês pode até ser mais organizado e limpo que o brasileiro, mas na hora do pico, a lotação dos metrôs é tão ruim quanto ou pode ser até pior que no Brasil.

3 – Exaustão

São comuns as cenas de japoneses dormindo na rua, em restaurantes, nos metrôs, em qualquer lugar na verdade. As longas e insanas jornadas de trabalho japonesa, causada pelas horas extras e a intensidade de ritmo de trabalho levam os japoneses à exaustão.

Michiyo Nishigaki, mãe de Naoya, um jovem japonês, contou em entrevista à rede britânica BBC, sobre os sinais do esgotamento de seu filho, após conseguir um emprego em uma grande empresa de telecomunicação.

“Ele me dizia que estava ocupado, mas que estava bem”, relembra a mãe. “Até que ele veio para casa para comparecer ao velório do avô e não conseguia sair da cama. Ele me dizia: ‘Me deixe dormir um pouco. Não consigo levantar. Desculpe, mãe, mas me deixe dormir”, acrescenta Michiyo.

Foram os amigos do filho que lhe explicaram que Naoya estava trabalhando dia e noite sem parar.

“Em geral, ele trabalhava até o horário do último trem, mas se perdesse esse acabava dormindo no escritório”, ela conta. “Em casos extremos, trabalhava a noite toda até 22h do dia seguinte, totalizando 37 horas de trabalho.”

4 – Hikikomoris

As mudanças econômicas e sociais no Japão desde a década de 80 tem reconfigurado a estrutura familiar japonesa. Segundo Aya Abe, uma pesquisadora do Instituto Nacional de População e Seguridade Social, a cada ano, cresce o número de jovens que decidem viver sozinhos, devido a cobrança pessoal de garantir seu próprio sustento e aliviar os gastos dos pais, de acordo com matéria publicada pelo portal Japão em Foco.

Mas esse não é único motivo. Segundo o Ministério de Saúde do Japão, 70 mil pessoas entre 15 e 39 anos são “Hikikomoris“, ou seja, caracterizam-se por desenvolverem um isolamento social extremo, que é propiciado pelos estímulos intensos da vida eletrônica que exige um certo alheamento à realidade ao redor.

5 – Imigrantes

Se os próprios japoneses desdobram-se em horas extras e longas jornadas de trabalho imagine os imigrantes que precisam disputar vagas concorridas, além de enfrentarem problemas como a xenofobia?

É preciso encarar a realidade: há o lado justo, organizado e gentil do japonês, mas é preciso lembrar que eles também estão tentando sobreviver, assim há também o lado negro no Japão, que leva ao preconceito e a competitividade exagerada.

Esse é um país para se trabalhar, e muito! O máximo que você puder dentro dos limites humanos. Ser imigrante, ganhar bem e viver de maneira relaxada? É muito difícil, praticamente impossível no Japão.

6 – Mulheres japonesas

A pobreza feminina é um problema histórico e constante na sociedade japonesa. Tradicionalmente elas sempre possuíram um papel secundário no ambiente de trabalho.

“Durante décadas [elas] foram em frente, apesar de ganharem menos, porque tinham maridos que ganhavam bem ou viviam com seus pais. E também levavam uma vida austera. Mas essa última tendência à pobreza pode estar relacionada com o fato delas se casarem menos ou não conseguirem melhores salários, trabalharem meio período ou terem contratos temporários”, explica Aya Abe, pesquisadora do INP, segundo o site Envolverde.

As mulheres que são mães e solteiras são as que mais sentem o impacto dessa discriminação de gênero. Segundo as estimativas, 60% das mulheres deixam de trabalhar quando engravidam.

“As japonesas ganham, em média, 30,2% a menos do que os homens. Temos que reduzir a desigualdade”, Abe acrescenta.

7 – Desemprego

Aproximadamente 7.508 pessoas são moradores de ruas no Japão. Somente em Tóquio, 1.697 pessoas vivem desabrigadas, segundo dados do site Metro Tokyo JP. Esse número deve-se ao fato do desemprego crescente, da especulação imobiliária que elevam os valores dos alugueis a níveis estratosféricos, e também ao preconceito das empresas que preferem substituir adultos e idosos pela mão de obra jovem.

8 – Aposentadoria

A aposentadoria japonesa por vezes é insuficiente em relação as necessidades mais básicas de seus cidadãos. O rompimento dos vínculos familiares levam-os à depressão e consequentemente ao suicídio. As estatísticas recentes mostram o crescimento dos crimes praticados pelos aposentados, que preferem a vida não prisão onde podem ser amparados pelo sistema, segundo consta informação no portal Japão em Foco.

9 – Karoshi

Naoya, filho de Michiyo Nishigaki (citado no tópico 3 dessa lista) morreu aos 27 anos de uma overdose de medicamentos. No entanto, oficialmente sua morte foi considerada um “Karoshi”, termo japônes para mortes causadas por excesso de trabalho.

Assim como Matusi Takahashi (citada no primeiro tópico). A sua privação do sono devido a intensa jornada laboral a levou a loucura, ao ponto de cometer suicídio. O caso também foi considerado um Karoshi.

Esse fenômeno não é novo, segundo a BBC, casos de karoshi são identificados no país desde a década de 60, tornando o Japão um país com as jornadas de trabalho mais longas do mundo.

10 – Perfeição japonesa

A maioria dos suicídios cometidos no Japão estão relacionados ao trabalho. O estresse, a perda do trabalho, dificuldades financeiras e privações de sono estão associadas à vida intensa dos trabalhadores dessa nação.

Errar, falhar e fracassar apenas uma vez é motivo suficiente para tirar a própria vida, de acordo com a cultura japonesa que hipervaloriza a perfeição. Até mesmo se envolver em brigas ou problemas judiciais pode comprometer a carreira dos filhos ou do cônjuge, pois as empresas analisam o histórico familiar no momento da contratação.

O Japão continua sendo mesmo assim, um lugar enriquecedor e bom para se viver, isso se você conseguir adequar-se à cultura japonesa. Nessa sociedade onde a perfeição e o trabalho são supervalorizados o melhor conselho que eles costumam dar é economizar e investir para uma qualidade de vida no futuro.

Afinal de contas, todo país tem suas qualidades e defeitos, e mesmo o Japão sendo a terceira maior economia do mundo, ainda assim, como todo e qualquer nação, ainda tem muita coisas a serem aprimoradas.

Você imaginava essa realidade num país como o Japão? Não esqueça de deixar o seu comentário e aproveite também para compartilhar a matéria com aquele amigo que tem interesse ou está planejando se mudar para a terra do sol nascente.

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