Ciência e Tecnologia

70 planetas errantes são descobertos no espaço

planetas errantes
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Planetas errantes, nômades ou livres são objetos cósmicos com massa comparável ​​aos dos planetas do Sistema Solar, mas não orbitam uma estrela. Em vez disso, vagam livremente por conta própria. Muitos não eram conhecidos até agora, já que é difícil identificá-los. No entanto, pelo menos 70 novos planetas errantes foram descobertos na galáxia Via Láctea, a que nós habitamos.

Os planetas foram identificados por uma equipe de astrônomos, que usaram dados de vários telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) e de outras instalações. Esse é o maior grupo de planetas errantes já descoberto. O achado representa um passo importante para a compreensão das origens e características desses misteriosos nômades galácticos.

Ao todo, foram colhidas milhares de imagens de três telescópios do ESO, localizados no Chile. Além disso, foram colhidos dezenas de terabytes de dados. Esses dados permitiram encontrar 115 potenciais planetas errantes, dos quais 70 foram confirmados até o momento. A equipe também usou dados do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia.

Essa foi uma prova do sucesso da colaboração entre telescópios no solo e satélites no espaço na exploração e compreensão do Universo. A respeito da descoberta dos planetas nômades, a astrônoma do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux (França) e da Universidade de Viena (Áustria), Núria Miret-Roig, afirmou que “não sabíamos quantos esperar e estamos animados por ter encontrado tantos”.

A pesquisadora também explicou que foram medidos os pequenos movimentos, cores e luminosidades de dezenas de milhões de fontes em uma grande área do céu. Foram essas medições as responsáveis por permitir identificar com segurança os objetos mais fracos dessa região: os planetas errantes. O achado foi descrito em um estudo publicado no dia 22 de dezembro, na revista científica Nature Astronomy. 

Dificuldades na descoberta dos planetas errantes

Esses planetas desafiam as noções astronômicas por não orbitarem estrelas e formarem sistemas planetários que vagam livremente. Eles não estão sujeitos à atração de um centro gravitacional, como é o caso do Sol e dos planetas, planetoides, asteroides e cometas que compõem o Sistema Solar. Normalmente, seria impossível obter imagens de planetas errantes, já que eles estão longe de qualquer estrela que os ilumine. 

Wikimedia Commons

No entanto, nos poucos milhões de anos após sua formação, esses planetas ainda estão quentes o suficiente para brilhar, tornando-os diretamente detectáveis ​​por câmeras sensíveis em grandes telescópios. Os 70 novos planetas errantes encontrados têm massas comparáveis ​​às de Júpiter, em uma região de formação de estrelas próxima ao nosso Sol, nas constelações de Escorpião Superior e Serpentário.

Para localizar tantos planetas errantes, a equipe usou dados colhidos ao longo de 20 anos. O estudo sugere que pode haver muito mais desses planetas indescritíveis e sem estrelas a orbitar que ainda não foram descobertas. Esses descobrimentos não são simples, justamente pela dificuldade de visualizar os objetos no espaço.

Ao estudarem os planetas errantes recém-descobertos, os astrônomos podem encontrar pistas de como esses objetos misteriosos se formam. Alguns cientistas acreditam que planetas errantes podem se formar a partir do colapso de uma nuvem de gás, que é muito pequena para levar à formação de uma estrela, ou que eles poderiam ter sido expulsos de seu sistema original. Porém, ainda não se sabe qual mecanismo é mais provável.

Avanços tecnológicos em um futuro próximo serão determinantes para desvendar o mistério destes planetas nômades. Mais detalhes poderão ser descobertos sobre eles com a conclusão de mais um telescópio, o Extremely Large Telescope (ELT), do ESO. Atualmente, ele está em construção no deserto chileno do Atacama, e deverá começar a operar no final desta década. 

Espera-se que o ELT consiga captar detalhes a respeito dos planetas errantes que hoje passam batidos. Apesar de muito avançados, os equipamentos que se tem hoje não são capazes de investigar a fundo cada um desses corpos celestes. A expectativa é que o novo telescópio, que ainda demora cerca de oito anos para ficar pronto, consiga suprir essa necessidade.

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