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A mensagem secreta inscrita no quadro “O Grito”

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Quase invisíveis no canto superior esquerdo de uma das pinturas mais famosas do mundo, “O Grito”, de Edvard Munch, estão as palavras: “Só poderia ter sido pintado por um louco”. Durante anos, curadores de arte e historiadores se perguntaram quem foi o responsável pela sentença.

Após décadas de debate, neste mês de fevereiro, especialistas chegaram à conclusão de que o próprio artista foi o responsável pela inscrição. De acordo com o Museu Nacional da Noruega, o primeiro a notar a presença da inscrição foi um crítico de arte dinamarquês. O profissional notou a presença da frase em 1904, logo após visitar uma exposição em Copenhague. Na época, o crítico até chegou a pensar que um dos visitantes havia escrito a frase como um ato de vandalismo.

Dizeres

Novas varreduras infravermelhas, que não afetam a pintura, mostraram que Munch deixou a pequena frase no canto da pintura, escrita a lápis, depois que o trabalho já estava concluído. Especialistas analisaram a caligrafia e, em seguida, a comparou com os escritos dos diários e cartas de Munch.

“A escrita é, sem dúvida, do próprio Munch”, disse Mai Britt Guleng, curadora do Museu Nacional da Noruega. “A própria caligrafia, assim como os acontecimentos ocorridos em 1895, quando Munch mostrou a pintura na Noruega pela primeira vez, apontam todos para a mesma conclusão”.

O Museu Nacional da Noruega confirmou a origem da inscrição enquanto a pintura passava por extenso processo de conservação, etapa primordial para a preparação de sua instalação em Oslo, cidade natal de Munch. A obra “O Grito” será exibida no museu em 2022. no próximo ano.

“A escrita sempre foi visível a olho nu, mas é muito difícil de interpretar”, disse Thierry Ford, conservador de pinturas do Museu Nacional da Noruega. “Através de um microscópio, você pode ver que as linhas do lápis sobrepõe fisicamente o topo da tinta, indícios de que foram aplicadas depois que a pintura foi concluída.”

O Grito

Depois que “O Grito” estreou em 1895, Munch recebeu fortes críticas, tanto da comunidade artística, quanto de um estudante de medicina, Johan Scharffenberg, que questionou seu estado mental durante um debate no qual Munch estava presente.

À data de estreia, Henrik Grosch, diretor do Museu Norueguês de Artes Decorativas e Design, em uma de suas críticas, disse que as pinturas de Munch mostraram que não era mais certo “considerar Munch um homem sério, com um cérebro normal”. Durante anos, Munch, em suas anotações, demonstrou claramente uma profunda mágoa.

“Acredita-se que Munch escreveu essas palavras na obra depois de ouvir Scharffenberg julgar sua saúde mental”, disse Guleng sobre a inscrição. “É razoável supor que ele o fez logo depois, durante ou após a exposição de estreia da obra”.

A pintura expressionista é hoje amplamente celebrada nos tempos modernos, considerada uma representação duradoura da ansiedade e da angústia. Em seu diário, Munch revela que a pintura foi inspirada por “uma rajada de experiências”. Denota-se que essa rajada foi culmunada pela família do artista, cuja irmã, pai e avô sofriam de depressão.

“A inscrição pode ser lida como um comentário irônico, mas, ao mesmo tempo, como uma expressão da vulnerabilidade do artista”, disse Guleng. “Escrever na pintura acabada mostra que um processo criativo de Munch era contínuo”.

A pintura, que é uma de quatro, raramente, foi vista desde que foi brevemente roubada há quase 20 anos. Em 2021, uma versão pastel foi vendida por quase US$ 120 milhões durante um leilão da Sotheby’s, em Nova York – um recorde mundial na época.

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