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A ”porta do inferno” da Roma Antiga matou pessoas com seu lago mortal

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Nosso planeta tem mais de 4,5 bilhões de anos. Com certeza, esse é um tempo que deve ser levado em consideração para a história de nosso planeta. Nem sempre as coisas foram como são agora. Nós evoluímos significativamente ao longo dos tempos. Nos tornamos mais inteligentes, mais ágeis e versáteis. Aprendemos a construir coisas e mudamos completamente o habitat em que vivemos.

Além de também mudarmos as crenças e o que determinados lugares simbolizavam. Por exemplo, os antigos romanos acreditavam que uma caverna era o portão para o inferno. E ela era tão mortal que matava todos os animais que entravam em sua proximidade, mas não prejudicava os sacerdotes humanos.

Porta do inferno

Depois de milênios, os cientistas acreditam ter descoberto o motivo disso acontecer. Uma nuvem concentrada de dióxido de carbono teria sufocado aqueles que a respiravam.

Essa caverna foi descoberta em 2011 pelos arqueólogos da Universidade de Salento. Ela tem 2.200 anos de idade e ficava localizada em uma cidade chamada Hierápolis, na antiga Frígia, que é a atual Turquia. A caverna era usada  para sacrifícios de touros guiados por Plutônio, ou Portão de Plutão, o deus clássico do submundo.

Quando os touros eram levados pelos sacerdotes para a caverna, as pessoas podiam ficar em assentos elevados para assistir enquanto os vapores que saiam do portão matavam os animais.

“Este espaço está cheio de um vapor tão enevoado e denso que mal se pode ver o solo. Qualquer animal que passar por dentro encontra a morte instantânea. Atirei pardais e eles deram o último suspiro imediatamente e caíram”, escreveu o historiador grego Estrabão.

Foi por conta desse fenômeno que os arqueólogos conseguiram localizar a caverna. Os pássaros que voavam muito perto da caverna acabavam se sufocando e caíam mortos. Isso mostrou que, mesmo milhares de anos depois, a caverna ainda continua mortal.

O que faz isso acontecer, segundo o vulcanologista Hardy Pfanz, da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha, é a atividade sísmica subterrânea. Uma fissura nas profundezas da região emite grandes quantidades de dióxido de carbono vulcânico.

Descobertas

Os pesquisadores mediram os níveis de dióxido de carbono na arena que era conectada à caverna e descobriram que o gás, que é ligeiramente mais pesado que o ar, formou um “lago” que se elevou 40 centímetros acima do chão da arena.

Durante o dia, o gás é dissipado pelo sol. Mas de acordo com as descobertas destes pesquisadores, ele é mais mortal ao amanhecer, logo depois de uma noite de acumulação, A concentração do gás chega a mais de 50% no fundo do lago, e sobe para aproximadamente 35% a 10 centímetros. Essa quantidade é suficiente para matar um humano. Mas acima dos 40 centímetros essa concentração cai rapidamente.

Dentro da caverna, os pesquisadores estimam que os níveis de CO2 variam entre 86 e 91% durante todos os momentos. Isso porque nem o sol e nem o vento entram nela.

Na época em que ela era usada, os pesquisadores acreditam que os sacerdotes que levavam os touros para morrerem na caverna sabiam das propriedades da gruta e da sua arena. E, provavelmente, eles faziam os sacrifícios ao amanhecer ou então ao anoitecer nos dias que estavam mais calmos para que o efeito da caverna fosse o máximo.

Independente de como essas cerimônias eram feitas, a descoberta por si só pode ajudar a revelar a localização de outros plutônios ao estudar a atividade sísmica.

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