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Mudanças climáticas ameaçam o futuro do chá

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A mudança climática pode estar prestes a impactar uma dos primordiais atos da cultura britânica: beber chá. De acordo com uma recente reportagem publicada pela Sky News, o instável clima e o aumento das temperaturas podem interferir na quantidade e na qualidade da terra disponível para o cultivo de ervas, bem como no ambiente necessário para produzir certas espécies, como, por exemplo, o famoso chá preto.

Cenário

Segundo um relatório da Christian Aid, o Reino Unido e a Irlanda são os países que mais consomem chá em relação a qualquer outra nação. Hoje, o Quênia produz metade do chá preto que é consumido no Reino Unido, mas o país, o maior exportador mundial da especiaria, enfrenta uma realidade jamais vista antes: chuvas cada vez mais irregulares, enchentes e longos períodos de secas.

O relatório da instituição prevê que as condições ideais para a produção de chá no país da África Oriental cairão em mais de um quarto (26%) até 2050. Em áreas em que as condições de cultivo são médias, a produção cairá quase dois quintos (39%).

Conforme as informações que foram disponibilizadas na reportagem publicada pela Sky News, outros grandes produtores de chá, incluindo Índia, Sri Lanka e China, o maior produtor mundial de chá verde – cuja popularidade cresce cada vez mais no Reino Unido -, também enfrentam consequências referentes ao aumento das temperaturas e de outras ações naturais.

Segundo o documento da instituição, as mudanças climáticas não envolvem apenas a quantidade de chá produzido, mas também o sabor – quanto maior o volume de chuva, menor a qualidade do chá e, consequentemente, dos compostos que tornam a bebida benéfica para a saúde.

Produtores

O agricultor Richard Koskei, 72, cujas terras encontram-se em Kericho, no oeste do Quênia, disse em entrevista à Sky News que a mudança climática é uma “ameaça real”. “Não podemos mais prever as estações, as temperaturas estão subindo, as chuvas estão mais irregulares e frequentemente acompanhadas de granizo e as secas estão mais longas. Isso é péssimo”.

“Se o cenário continuar assim, o cultivo do chá será muito mais difícil e a nossa vida será bem pior. Agricultores como nós estão arcando com o impacto desta crise, mas não fomos nós que a causamos”.

Fiachra Moloney, membro da fabricante do PG Tips Unilever, acrescentou: “na África Oriental, de onde vem grande parte do nosso chá, a mudança climática está colocando em risco o sustento das pessoas que cultivam as ervas”.

Com o Acordo Internacional de Paris, os países se comprometeram a adotar novas medidas para tentar limitar o aquecimento global a 1,5º C acima dos níveis pré-industriais, afinal, se ultrapassamos tal margem, os impactos climáticos se tornarão cada vez mais severos.

A cúpula do Dia da Terra, instaurada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no mês passado, permitiu os líderes mundiais reafirmarem seu compromisso com o clima – questão que será o foco da reunião do G7 no próximo mês.

Na reunião, Kat Kramer, líder da política climática da Christian Aid, disse: “como anfitrião do G7 em junho e da cúpula do clima COP26 em novembro, o Reino Unido pode garantir que os países que estão na linha de frente desta crise que irá se adaptar e responder aos impactos das alterações climáticas”.

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