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Acidente nuclear secreto na Rússia provocou a misteriosa nuvem radioativa de 2017

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Os acidentes nucleares envolvem dispositivos nucleares e materiais radioativos. Em alguns casos, uma contaminação radioativa acontece, mas em muitas situações, o acidente envolve uma fonte selada ou a liberação de radioatividade em quantidade pequena, enquanto a radiação direta é grande. Seja qual for o motivo, acidentes desse tipo sempre são um grande motivo de preocupação.

Em 2017, uma nuvem bastante vasta de radiação se espalhou pela Europa continental. As origens dessa nuvem foi atribuída a um acidente nuclear que não foi reconhecido no sul da Rússia. Quem revelou isso foi uma equipe de cientistas.

Segundo eles, a nuvem de radiação que foi detectada na Europa só poderia ter sido resultado de um acidente de reprocessamento de combustível nuclear na Associação de Produção de Mayak. Essa instalação fica na região de Chelyabinsk, na Rússia. E o acidente deveria ter acontecido entre o dia 26 de setembro e meio-dia do dia 27.

A Rússia chegou a confirmar a detecção de uma nuvem radioativa nos Urias na época, mas eles nunca admitiram a responsabilidade pelo vazamento de radiação. E também nunca admitiram que aconteceu um acidente nuclear em Mayak, em 2017.

Segundo uma nova pesquisa, feita por Georg Steinhauser, químico da Universidade Leibniz, em Hannover, na Alemanha, mais de 1.300 medições atmosféricas no mundo todo foram feitas. Estas mostraram que entre 250 e 400 terabecquerels de rutênio radioativo 106 foram liberados no mesmo período da nuvem.

Radioatividade

O rutênio-106 é um isótopo radioativo do rutênio, o que quer dizer que tem um número diferente de nêutrons no seu núcleo do que seria natural. Esse isótopo pode ser reproduzido como um subproduto, durante uma fissão nuclear de átomos de urânio-235.

A nuvem radioativa foi diluída o suficiente, para que não causasse nenhum dano às pessoas. Mas segundo Steinhauser, a radioatividade total estava entre 30 e 100 vezes acima do nível e foi uma arriscada quantidade liberada depois do acidente de Fukushima, no Japão, em 2011.

Rutênio

A nuvem radioativa foi detectada na Europa Central e Oriental, na Ásia, na Península Arábica e, até mesmo, no Caribe. Nela, foi detectada apenas o rutênio-106, que é um subproduto da fissão nuclear e tem uma meia-vida de 374 dias.

Quando o combustível nuclear está em seu reprocessamento, que é a parte onde o plutônio radioativo e o urânio são separados, o rutênio-106 é separado e posto em um armazenamento de longo prazo com outros resíduos radioativos.

Por causa disso, a grande liberação de rutênio só seria possível com um acidente no processamento de combustível nuclear. E, de acordo com Steinhauser, Mayak era um dos poucos lugares no mundo que realizavam esse tipo de reprocessamento.

Além do que, os estudos meteorológicos avançados que foram feitos para essa nova pesquisa mostraram que a nuvem radioativa só poderia ter vindo de Mayak. “Eles fizeram uma análise muito minuciosa e determinaram Mayak – não há dúvida sobre isso”, ressaltou Steinhauser.

Mayak

Esse novo acidente aconteceu um pouco mais de 60 anos atrás, quando o acidente de 1957 fez uma das maiores emissões de radiação na história da região. Esse acidente perdeu apenas para a explosão de 1986, com o incêndio na usina nuclear de Chernobyl.

O acidente de 1957 ficou conhecido como ‘Desastre de Kyshtym’ por causa de uma cidade próxima. Um tanque de lixo nuclear líquido explodiu nas instalações de Mayak, e espalhou partículas radioativas pelo local e causou uma nuvem radioativa de fumaça que se estendeu por centenas de quilômetros.

Acidente

Segundo o estudo, o acidente de 2017 não foi causado por uma liberação simples de gás radioativo. Ao invés disso, um incêndio ou uma explosão teriam exposto os trabalhadores da usina a níveis nocivos de radiação.

A Rússia não reconheceu que um acidente aconteceu nas instalações de Mayak. Talvez porque o plutônio é fabricado para armas termonucleares. Mas, de acordo com Steinhauser, a Rússia fez uma comissão para investigar essa nuvem radioativa.

Essa comissão russa decidiu que não existem provas suficientes para determinar que foi um acidente nuclear que causou a nuvem radioativa. Mas o que Steinhauser e sua equipe querem é que, com o novo estudo, essa decisão seja olhada novamente.

“Eles chegaram à conclusão de que precisam de mais dados. E então nos sentimos bem, agora você pode ter todos os nossos dados – mas gostaríamos de ver os seus também”, explica.
“É nossa responsabilidade aprender com esse acidente. Não se trata de culpar a Rússia, mas de aprender nossas lições”, conclui.

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