Apenas um país do mundo está no caminho para cumprir as metas climáticas
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Apenas um país do mundo está no caminho para cumprir as metas climáticas

Nosso planeta já tem seu longo período de existência e já passou por várias transformações. Uma delas, que os pesquisadores consideram uma das mais drásticas, é a mudança climática. Em suma, ela vem afetando o mundo de várias maneiras e, talvez, caminhe para um ponto onde se torne cada vez mais difícil a nossa existência.

Mesmo assim, mais de 35 países do mundo, inclusive os maiores emissores de carbono, não estão cumprindo com os compromissos para manter a mudança climática nos eixos. Uma análise mostrou que, infelizmente, apenas uma nação africana está conseguindo cumprir suas metas.

Análise

 

Essa análise mostrou que, mesmo com o compromisso assinado no Acordo Climático de Paris em 2015, são poucos os países que estão no caminho certo para cortar as emissões de carbono e limitar a mudança climática a 1,5° Celcius.

“Mesmo os países com metas fortes não estão no caminho certo para alcançá-las, enquanto outros não conseguiram apresentar compromissos mais firmes para 2030. Estimamos que, com as ações atuais, as emissões globais estarão aproximadamente no nível de hoje em 2030. Estaríamos emitindo o dobro do necessário para o limite de 1,5° C”, disse o relatório do Climate Action Tracker. Ele é uma colaboração de duas organizações científicas, Climate Analytics e NewClimate Institute.

Ademais, as políticas para dar apoio financeiro para que projetos de energia limpa sejam financiados em países em desenvolvimento também estão aquém, como mostrou a análise realizada.

O pior de tudo, é que isso aconteceu depois de um mês que mais de 230 cientistas divulgaram um alerta bastante severo, o chamado “código vermelho para a humanidade”. Ele foi emitido no sexto Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e antes das próximas negociações sobre o clima da ONU.

Resultados

Esses resultados apresentados também vão de encontro com as ondas de calor históricas que estão acontecendo. Também com as inundações e os incêndios florestais severos dos últimos meses.

“Um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo está sofrendo com os impactos cada vez mais graves e frequentes das mudanças climáticas. Mas a ação do governo continua ficando para trás do que é necessário”, disse o cientista climático Bill Hare, CEO da Climate Analytics, co-autor do Relatório do Climate Action Tracker.

Nesse relatório os países foram classificados de acordo com uma série de medidas. Como por exemplo, políticas climáticas domésticas, ação e uso da terra, apoio financeiro internacional e metas de emissões. Além de terem sido avaliadas se essas metas representam uma parcela justa das reduções de emissões.

Entre as 36 nações avaliadas, além da União Europeia, somente uma delas recebeu classificação compatível com a estabilização do aquecimento global em 1,5° Celsius. Quem conseguiu o feito foi a Gâmbia, um pequeno país da África Ocidental que, ao que tudo indica, está tomando medidas para aumentar o uso de energia renovável.

Países

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Além dele, outros sete países não estão muito atrás. Foram eles: Costa Rica, Quênia, Marrocos, Etiópia, Nepal, Nigéria e Reino Unido. Eles se classificaram como “quase suficiente”. Isso significa que podem conseguir voltar ao caminho com algumas melhorias moderadas.

No caso da União Europeia, Alemanha e Estados Unidos, por mais que tenham introduzido várias políticas novas para atualizar suas metas climáticas, a situação ainda continua insuficiente.

E no caso de grandes emissores, como Austrália, Brasil, Indonésia e Rússia, a nova análise descobriu que eles estão presos às mesmas metas ambiciosas para 2030. Ou até menos ambiciosas do que propuseram em 2015.

“Qualquer um pensaria que tem todo o tempo do mundo quando, na verdade, o caso é o oposto. Quase todos os países desenvolvidos precisam fortalecer ainda mais suas metas para reduzir as emissões o mais rápido possível. Implementar políticas nacionais para alcançá-las e apoiar mais nações em desenvolvimento a fazer a transição”, concluiu o especialista em política climática Niklas Höhne, do NewClimate Institute, com sede na Alemanha, que contribuiu para relatórios anteriores do IPCC.

Fonte: https://www.sciencealert.com/only-one-country-is-on-track-to-meet-its-climate-targets-study-finds