
Arqueólogos dedicam suas vidas diariamente em busca de coisas sobre o passado para que possamos entender mais sobre a nossa história. Felizmente, ao longo do tempo várias descobertas foram e continuam sendo feitas. Além de estudos com um objetivo muito claro. Como no caso desse estudo que busca o túmulo de Cleópatra.
O estudo da arqueóloga dominicana Kathleen Martínez, de 57 anos, a respeito da rainha do Egito está ajudando a reescrever a biografia dela, mas o objetivo real é encontrar o túmulo de Cleópatra. Essa missão da arqueóloga já dura 20 anos. Por conta de todo esse tempo na busca, o mais provável é que o túmulo esteja nas imediações do Templo Taposiris Magna, submerso no mar, em uma zona marítima militar que nunca foi explorada.
Hoje em dia, pelo menos dois grupos de arqueólogos estão buscando o túmulo de Cleópatra perto do Palácio Real Egípicio. O financiamento estimado para fazer essa pesquisa é de aproximadamente dois milhões de euros por ano dados pelo governo francês.
Mesmo que esses grupos estejam fazendo suas buscas nessa região, para Martínez, a localização pode ser outra. “Há mais de 200 anos que o procuram e não apareceu porque o procuraram no lugar errado. Como eu poderia construir um mausoléu de tal magnitude à vista dos romanos? Onde pode ser construído um forte edifício de pedra que passaria despercebido, senão nas proximidades de um templo do qual parece fazer parte? É uma questão de bom senso”, disse ela.

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A teoria da arqueóloga é bastante revolucionária porque sai de um ponto diametralmente oposto dos pensamentos tradicionais. Os primeiros pontos que guiaram Martínez em seu estudo foram os trabalhos dos grandes historiadores, e o descoberto por ela parece coisa de ficção científica. Ela descobriu mais de 20 múmias, algumas com línguas de ouro, 500 moedas de ouro com o rosto de Cleópatra e 1.800 peças arqueológicas.
A primeira pista veio depois que ela leu de forma atenta os autores e descobriu que depois que Marco Antonio, amante de Cleópatra, morreu ela foi fazer uma visita a ele e voltou no mesmo dia. Com isso, Martínez delimitou um perímetro de 100 quilômetros ao redor do Palácio Real de Alexandria, que depois diminui para 45.
Nesse raio está o Templo Taposiris Magna, teoricamente dedicado ao Deus Osíris, parceiro de Ísis e que Cleópatra pensava que era a reencarnação. Contudo, Martínez precisava mais do que a sua intuição para ter permissão para cavar em busca do túmulo de Cleópatra. Ela tinha que encontrar a placa de fundação do centro religioso mostrando que ele foi construído em homenagem à deusa.

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Explorando Taposiris foram descobertos túneis subterrâneos nunca vistos que, em determinado momento, começaram a se encher de água salgada. Isso foi mais uma pista que deixou a teoria de que esse centro está ligado ao Mar Mediterrâneo mais perto. Os túneis tem 1.305 metros de comprimento e 25 metros de profundidade, estão passando embaixo da estrada que liga Alexandria à Libia e a um hotel de luxo. Além disso, eles podem ligar o templo a outro também grande.
“Eles passaram despercebidos durante a construção das estradas porque são muito profundas. Mas estão intactos”, pontuou a arqueóloga.
De acordo com os estudos feitos por ela, Alexandria foi destruída pelas catástrofes e tsunamis que também acabaram inundando esse segundo templo.
“Hoje podemos afirmar que uma parte deste centro religioso permaneceu no fundo do mar sem qualquer informação até agora. Quer encontremos ou não o túmulo de Cleópatra, esta é a maior descoberta que fizemos até hoje. Ninguém jamais encontrou todas essas passagens no fundo do mar”, afirmou.
Sabendo disso, Martínez aprendeu a mergulhar e, depois do seu primeiro mergulho em 2022, ela mandou um e-mail para o Dr. Ballard, que foi responsável por encontrar o Titanic. “Ele me disse que tinha 80 anos e que pensava em se aposentar, mas que queria que seu epitáfio aparecesse como o do oceanógrafo que encontrou o Titanic e também a tumba de Cleópatra”, contou.
Então, em setembro de 2023 outro mergulho foi feito, dessa vez com 68 mergulhadores profissionais envolvidos pela primeira vez em uma missão arqueológica. Nesse momento, eles fizeram as primeiras imagens das estruturas que estavam submersas.
Em setembro desse ano irão ser feitas escavações no terreno que irão ajudar a lançar mais luz sobre a investigação. Conforme Martínez acredita, essa descoberta tem a capacidade de dizer várias coisas para o mundo, já que pode “nos trazer muitas informações sobre um período sobre o qual quase nada se sabe porque nenhum dos túmulos dos faraós foi encontrado”.
Além disso, encontrar o túmulo de Cleópatra não é o fim para a arqueóloga. O sonho de Martínez é que a América Latina seja uma região líder em egiptologia.
“Não aceitei porque seria uma conquista estrangeira. E quero que seja latino-americana, que carregue a nossa bandeira. Os latinos têm muito a oferecer, mas não tivemos oportunidade. Às vezes sinto que não desisto de ser quem abre a porta para quem vem atrás. Não vou me cansar até que nos coloquemos no mapa da arqueologia mundial”, concluiu ela.
Fonte: Galileu
Imagens: La prensa, El nacional






