
Em 20 de maio de 1975, a jovem de 22 anos Judith Lord foi encontrada morta em seu apartamento no complexo residencial Concord Gardens, em Concord, New Hampshire. O corpo apresentava sinais de estrangulamento, e testemunhas indicaram luta violenta e agressão sexual. O filho dela, com cerca de 20 meses, foi encontrado ileso, no berço, em outro cômodo.
Desde o início da investigação, um vizinho, Ernest Theodore Gable, era considerado suspeito. Havia impressões digitais dele na janela do apartamento da vítima e relatos de que ela tinha medo dele, por causa de investidas e comportamento agressivo. Na época, a perícia forense determinou, com base em análise microscópica de fios de cabelo, que os cabelos encontrados na cena não pertenciam a Gable, conclusão que impediu sua acusação formal. O caso esfriou.
Décadas depois, o caso foi reaberto pela unidade de casos antigos (cold case) de New Hampshire. Novos exames de DNA realizados em amostras guardadas, inclusive fluido seminal encontrado nas toalhas da cena, apontaram de forma confiável que o material era de Gable. Com a reavaliação completa das evidências, impressões digitais, vestígios biológicos, relatos das testemunhas, as autoridades concluíram que Gable era o autor do crime. O caso foi oficialmente encerrado e classificado como solucionado.
Na década de 1970, a perícia de comparação microscópica de cabelos era técnica aceita, mas hoje sabe-se que esse método falhava com frequência. O erro no caso de Lord impediu que o suspeito fosse acusado. Com a evolução da ciência forense, tornou-se possível revisitar casos antigos e, finalmente, corrigir injustiças. Esse reencontro entre evidência e técnica moderna trouxe uma resposta que a família e a comunidade aguardavam havia décadas. Embora o suspeito tenha sido identificado, ele não poderá ser julgado: Ernest Gable foi morto em 1987, em Los Angeles, vítima de facadas. Para as autoridades, a conclusão representa um encerramento para o caso. A família da vítima e a comunidade de Concord receberam a confirmação de quem cometeu o crime, mesmo cinco décadas depois.






