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Cientistas se unem para registrar coleções de espécimes na Internet

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Uma recente reportagem, publicada pelo portal de notícias NPR, revelou que mais de um bilhão de espécimes encontram-se atualmente sob os cuidados de museus, universidades e outras instituições nos Estados Unidos. Em suma, essa incrível coleção l, que retrata a biodiversidade, envolve desde peixes, conservados em potes de vidro, a plantas secas, prensadas entre papéis, e recipientes de plástico contendo uma gama de micróbios inimagináveis.

Conforme apontou o levantamento realizado pelo portal, a quantidade de espécimes espalhadas pelas diversas instituições estadunidenses é potencialmente útil para futuras pesquisas, pois, afinal, oferecem uma possibilidade incomparável de compreender toda a mudança que vem ocorrendo na natureza nos últimos anos. Em contrapartida, a coleção de seres, por não estarem devidamente catalogados, dificulta esse trabalho que, em poucas palavras, fundamenta-se na comparação.

“Eu, por exemplo, só preciso ir até uma prateleira para saber o que se passava em um rio do sudeste da Ásia que estava em curso em 1800”, diz Randy Singer, responsável pela coleção de peixes do Museu de Zoologia da Universidade de Michigan, que, hoje, conta com mais de três milhões de espécimes de peixes preservados. “Posso saber exatamente o que os peixes comiam. Posso também saber a composição química da água em que viviam”.

Nova metodologia

Assim como Randy Singer, para que outros cientistas obtenham informações tão detalhadas, é preciso, antes de tudo, ter acesso aos espécimes. Com o intuito de auxiliar os pesquisadores a encontrar os seus objetos de estudos – os quais, muitos, encontram se espalhados pelas instituições estadunidenses -, a National Science Foundation (NFS), desde 2011, tem disponibilizado verbas para o registo das coleções antigas na Internet em um portal destinado a pesquisa, chamado iDigBio.

“Acho que cerca de 130 milhões de espécimes foram digitalizados e disponibilizados por meio do iDigBio”, revelou Reed Beaman, diretor de programa da NSF. “Isso ainda não é tudo, ainda há muito o que fazer”.

Enquanto o registro de espécimes segue, Beaman e outros especialistas estão focados em atender novas demandas, as quais, claro, priorizam manter a coleção de espécimes a se tornarem mais acessíveis. Para atender uma comunidade global de cientistas, a NFS se reúne constantemente com um painel de especialistas. Os profissionais que atuam no projeto foram convocados pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina.

Coleções de espécimes

Acredita-se que os Estados Unidos possuem um terço de todas as coleções de espécimes conservadas que existem atualmente no mundo. Além disso, o país tem pelo menos 2.800 coleções de espécimes de “animais vivos”, como, por exemplo, micróbios – até então esses organismos não despertavam interesse a grande parte dos cientistas e pesquisadores, mas por conta da crise sanitária ocasionada pelo vírus Zika tornaram-se altamente relevantes. Por conta deste e de outros fatores, há uma necessidade urgente em realizar um registro preciso das inúmeras coleções que ainda permanecem espalhadas.

As listas, disponíveis atualmente dos diferentes tipos de coleções que não foram registradas no portal da NFS, precisam, no entanto, serem revistas, pois a grande maioria carece de colunas que precisam ser preenchidas. “Sabemos que existem muitas, mas muitas coleções das quais nada sabemos, e esse é realmente um dos grandes desafios que enfrentamos”, disse Barbara Thiers, diretora do Herbário William and Lynda Steere, do Jardim Botânico de Nova York, um dos estabelecimentos com as maiores coleções de plantas preservadas do mundo.

Outra questão, que deve ser analisada pela NFS, envolve as pequenas coleções de espécimes. Caso não sejam registradas no portal, muitas podem cair no esquecimento. “Em diversos casos, essas pequenas coleções não são reconhecidas por não serem valorizadas, ou seja, são pouco estudadas. Se acharem que não são consideráveis, acredito que muitas podem até acabar no lixo”, diz Singer.

Problemas e mais problemas

Há alguns anos, a Universidade da Louisiana decidiu reformar um antigo estádio esportivo. Enquanto não estava funcionando, o local serviu como depósito para uma variedade de diversas coleções de espécimes que haviam sido estudadas ao longo dos anos pelos alunos que passaram pela instituição.

“Os funcionários anunciaram que era preciso encontrar um novo lar para as coleções que estavam armazenadas no estádio. Caso não encontrassem, elas iriam para o lixo”, lembra Tiana Rehman, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Botânicas do Texas que adotou uma coleção de espécimes de plantas. “Esses espécimes são insubstituíveis”, diz Rehman. “Cada um deles representa um momento no tempo e no espaço que nos permite avaliar o passado, o presente e o futuro”.

Além de lidar com as pequenas coleções de espécimes, o NFS procura também uma saída para salvar as coleções de espécimes de animais maiores, diz Scott Edwards, curador de ornitologia do museu de história natural da Universidade de Harvard.

“Você sabe, o iDigBio, agora, não tem muitas informações sobre aves, por exemplo”, diz Edwards, “principalmente porque não desenvolvemos maneiras de registrar a estrutura 3-D de um espécime de um animal como este”.

O árduo trabalho, mesmo sendo representativo, segue em andamento. Enquanto novas soluções não se apresentam, o NFS seguirá realizando reuniões com os especialistas contratados para manter todas essas coleções vivas.

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