Natureza

Como e por que os vaga-lumes piscam?

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Os vagalumes, conhecidos também como pirilampo ou bondinho, são insetos popularmente conhecidos por emitir luz própria. Isso se dá pela bioluminescência característica deles, isto é, a capacidade de produzir e emitir luz. Estima-se que haja, no mundo, mais de 2 mil tipos de vaga-lumes.

Estes animais, que são do tipo besouro, pertencem às famílias Elateridae, Phengodidae e Lampyridae, e são dotados de órgãos fosforescentes na parte inferior de seus segmentos abdominais, responsáveis pelas emissões luminosas.

A luz emitida pelos vaga-lumes é o resultado de uma reação química que ocorre entre duas substâncias presentes no corpo do inseto: a luciferina e o oxigênio. Este é o fenômeno conhecido como bioluminescência, que transforma energia química em energia luminosa.

Esse processo, chamado de “oxidação biológica”, permite que a energia luminosa seja produzida sem que haja a produção de calor. A luz desses animais é conhecida como “luz fria”, aquela que gera menos de 20% de radiação ou capacidade térmica.

Funções da luz

Tanto em sua forma de larva quanto durante a vida adulta, o vaga-lume tem a capacidade de “acender”, mas com objetivos diferentes entre uma fase e outra. Uma curiosidade é que esses flashes de luzes emitidos são usados para atrair presas, espantar predadores e também para chamar parceiros para a reprodução.

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Enquanto larva, o vaga-lume usa essa característica unicamente para afastar predadores. Sua luz pode ser assumida como toxina por animais que possam tentar devorá-lo, garantido que ele chegue à fase adulta.

Após o período larval, quando o inseto assume o seu total potencial de luminosidade, ele a usa para a reprodução. O período de reprodução dos vaga-lumes é conhecido como “dança dos vagalumes”. Ele ocorre quando os machos e fêmeas de várias espécies se reúnem para selecionar companheiros para o acasalamento.

As cores emitidas pelos vagalumes podem variar do vermelho ao verde. A coloração está associada à família a que o inseto pertence e também à reação causada pela bioluminescência. Esses insetos possuem total controle sobre a emissão de luz, uma vez que o tecido que provoca essa emissão é ligado à traqueia e ao cérebro do vaga-lume.

Como a luz está diretamente ligada à reprodução da espécie, a iluminação artificial das cidades, que é mais forte, anula a bioluminescência dos vaga-lumes, afetando diretamente no seu processo de reprodução. Consequentemente, os vaga-lumes podem estar ameaçados de extinção, considerando que muitas cidades funcionam 24 horas.

Ou seja, há luzes a todo momento e principalmente durante a noite, que é quando os insetos brilham. No Brasil, devido à devastação das florestas e matas brasileiras, muitas espécies de vaga-lumes já estão em menor quantidade e, por isso, torna-se mais difícil de vê-las. Mesmo assim, o país ainda é conhecido por ser um dos locais com maior diversidade de insetos luminescentes.

Aqui, o vaga-lume mais comum é o Lampyris Noctiluca, uma espécie em que só os machos voam. Existem espécies que não possuem asas e, em outras, só um sexo possui.

Outros animais podem produzir luz?

Apesar de ser o animal bioluminescente mais conhecido, é importante ressaltar que o vaga-lume não é o único ser capaz de produzir luz. Existem vários animais, de diversas espécies, que também têm essa capacidade.

Em especial, é mais fácil encontrar animais com essa característica no oceano. Alguns animais marinhos, como peixes e plânctons, devido à escuridão do seu habitat, desenvolveram a capacidade de produzir luz própria.

Essa espécie de besouro é conhecida por ser noturna, mas também existem tipos de vaga-lumes diurnos. Nesse caso, a sua luminosidade é enfraquecida, diminuindo assim seus efeitos na reprodução. Esses insetos diurnos se utilizam de outras estratégias para se defenderem e se reproduzirem, semelhantes aos métodos usados por besouros comuns.

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