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Entenda como os ossos dessa mulher desapareceram na frente dos médicos

POR Diogo Quiareli    EM Curiosidades      10/04/18 às 14h31

A medicina nos surpreende cada vez mais, seja de forma positiva ou não. Um caso curioso que aconteceu na Escócia foi explicado recentemente por meio de um relatório. Uma paciente de 44 anos procurou ajuda médica quando começou a sentir muita dor no ombro esquerdo. Graças a um raio-X, os médicos puderam perceber uma lesão no seu úmero (o osso do braço). A princípio acreditaram que aquilo poderia ser um tipo de câncer. Depois de realizar uma biópsia, eles viram que aquilo não mostrava sinais de câncer e os resultados dos exames foram inconclusivos. Meses depois, outra biópsia apresentou um tumor benigno nos vasos sanguíneos.

A mulher continuou com dores no braço e inchaço, seus ossos estavam se rompendo por causa de pequenos ferimentos. No entanto, ela ainda não havia recebido um diagnóstico conclusivo sobre o que estava acontecendo. Cerca de 18 meses após sua primeira visita ao médico, os exames revelaram que seus ossos estavam desaparecendo. O seu úmero e seu osso ulnar (um dos dois ossos do antebraço) pareciam estar sumindo nos raios X. Outras biópsias mostraram que seus vasos sanguíneos estavam substituindo o tecido ósseo. Esse fenômeno incomum deu a pista para resolver o caso. Segundo um novo relatório da Royal Infirmary of Edinburgh, na Escócia, a paciente foi diagnosticada com a doença de Gorham-Stout. Também é conhecida como "doença do desaparecimento ósseo".

Essa é uma condição extremamente rara onde as pessoas vivem a perda óssea progressiva. A doença é tão rara que somente 64 casos foram relatados na medicina, segundo os pesquisadores. Os médicos não sabem ainda o que causa essa condição. Não foi identificado qualquer gatilho genético ou ambiental, de acordo com a Organização Nacional para Doenças Raras (NORD). A única coisa que os profissionais sabem é que as pessoas que enfrentam essa condição experimentam um crescimento anormal dos seus vasos sanguíneos e vasos linfáticos, os canais que carregam a linfa (líquido que contém glóbulos brancos que combatem infecções). Os vasos de crescimento se infiltram no osso, fazendo com que ele se quebre.

Informações

Os médicos afirmaram nos relatórios que a doença ainda é pouco conhecida. A gravidade da mesma varia de pessoa para pessoa. Em muitos casos, a condição é uma doença "regional", ou seja, ficam em uma área do corpo. Por exemplo, a paciente do caso retratado teve a doença em seu ombro e braço, mas não em outra parte o corpo. Outros ossos que costumam ser afetados são os das costelas, coluna, pelve, crânio, clavícula e mandíbula. Certos casos levam à paralisia, segundo a NORD. Além disso, se a doença afetar a caixa torácica, os pacientes podem desenvolver um acúmulo de líquido entre as membranas que atingem os pulmões, o que pode ser fatal.

Não existe ainda um tratamento padrão para a doença e as terapias geralmente são direcionadas aos sintomas específicos de cada paciente. Isso são dados do Centro de Informações sobre Doenças Genéticas e Raras (GARD) do National Institute of Health, nos Estados Unidos. Alguns dos tratamentos incluem cirurgia para remover as áreas afetadas, tratamento com radiação a fim de evitar que a doença se espalhe e bifosfonatos, que são drogas que ajudam na perda óssea. "Em última análise, esta é uma doença desafiadora, onde a gestão baseada em evidências continua a faltar", disseram os pesquisadores em um novo relatório.

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Diogo Quiareli
Geminiano, 24 anos, goiano.
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