Muito se fala sobre os efeitos das mudanças climáticas. Dessa forma, essas variações podem alterar a temperatura, precipitação e outros fenômenos climáticos. No entanto, algumas mudanças drásticas podem chamar a nossa atenção para essas alterações. E recentemente, cientistas ficam intrigados com o caso do lago, que desapareceu em 5 horas.

O que pode ser considerado um fenômeno extremamente raro, é um evento que pôde ser visto em tempo real. E mesmo que seja algo que não se vê todos os dias, os cientistas já possuem uma resposta para o que aconteceu com o lago que desapareceu.

Cadê a água que estava aqui?

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Esse evento tão raro foi documentado em julho de 2018, no oeste da Groenlândia. E tudo pôde ser presenciado, por glaciologistas britânicos do Scott Polar Research Institute, da Universidade de Cambridge. Assim, uma vez que já se tinha conhecimento do fato, de que lagos presentes em geleiras perdem água rapidamente, o local já estava sob observação.

Estando presentes no local, os cientistas presenciaram dois terços de um lago, situados na geleira Store, ser engolido pelo solo. Para ser ter uma ideia, o lago possuía cinco milhões de litros d'água e, em apenas cinco horas, tudo desapareceu. Depois do ocorrido, o estudo foi publicado na revista científica PNAS.

Como esses lagos surgem?

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Para quem olha de longe, é difícil acreditar que possa haver tanta água, em lugares tão frios. Pelo menos, o suficiente para formar um lago. Por exemplo, na Groenlândia, a camada de gelo pode chegar a atingir um quilômetro de espessura. No entanto, em tempos mais quentes, como o verão, é comum que essa superfície derreta e lagos sejam formados. E da mesma forma que surgem, eles também desaparecem.

Acontece que o assoalho, formado pelo gelo no fundo do lado, também possui grande fendas. E, de tempos em tempos, a água derretida encontra seu caminho até essas lacunas. Com o derretimento, a pressão acaba por gerar imensos buracos, até a base da calota polar. Além disso, esses buracos podem atingir até um quilômetro de profundidade, tamanho equivalente a 2.000 piscinas olímpicas.

Aquecimento global

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Para o experimento em questão, os cientistas acompanharam o esvaziamento do lago de uma distância segura. Por conta disso, drones foram utilizados para a observação. E com o equipamento, fotos aéreas de antes e depois da infiltração ajudaram na investigação. "O drone é que nos permite fazer observações de alta qualidade, em zonas que não são seguras para os cientistas", disse Tom Chudley, piloto remoto do drone, usado no experimento.

E apesar da descoberta, o objetivo inicial não era acompanhar o volume de água se esvair. Seu interesse inicial era o de obter dados para descrever, com mais precisão, a formação de imensas fendas e geleiras. Isso porque elas acabam por se tornar "autopistas", para que a água corra até uma calota polar. O que permite que o movimento das geleiras acelere. Por exemplo, a geleira Store, fonte do estudo, avança cerca de 600 metros todos os anos. E com o desaparecimento do lago, esse avanço passou de dois metros, para cinco metros por dia. Além disso, devido ao aquecimento global, esse fenômeno será cada vez mais recorrente.

"Com as mudanças climáticas, na Groenlândia, vemos mais lagos, maiores e mais altos, nas partes mais frias da calota. E vemos como alguns destes lagos começam a se esvaziar. O volume de lagos que esvaziam aumentará potencialmente em lugares novos que não conhecíamos até o momento", explica Chudley.

Publicado em: 11/12/19 14h50